Demora menos de 10 segundos a chegar aos vasos sanguíneos do olho e é este contraste em circulação que vai produzir a fluorescência necessária para detetar algumas patologias. Sem este exame de diagnóstico a oftalmologia ficaria limitada na sua atuação.


A primeira reação é de ansiedade, porque “investigaram”, “leram” ou ouviram falar que este é um exame com risco. Inicialmente, o medo está quase sempre instalado e tudo por culpa da má informação. Viver é um risco diário, tomar um comprimido é um risco, atravessar uma estrada é outro risco. Claro que há um risco, neste caso calculado, e que se pode traduzir em reações, variáveis, é certo e, noutros casos, evitáveis se o candidato a este exame estiver devidamente informado. Aliás, hoje, com a evolução da tecnologia e a reformulação dos equipamentos, a quantidade de contraste injetada é muito menor, reduzindo-se em 3/4, se comprarmos com o volume que era usado há cerca de 15 anos.

Sempre que o médico prescreve este tipo de exame de diagnóstico, denominado por angiografia, o doente deve ser informado que o contraste que usamos é a fluoresceína, porque nem todos os produtos são iguais. É esta fluoresceína que é administrada por um/a enfermeiro/a na via sanguínea (via endovenosa), preferencialmente no antebraço ou dorso da mão. Em menos de 10 segundos o contraste chega aos vasos sanguíneos do olho e, porque é estimulado por uma luz azul, acaba por produzir uma fluorescência amarela-esverdeada que vai permitir fazer o registo fotográfico do que se está a passar naquele momento nos vasos sanguíneos da retina. Pontualmente, ainda pode ser utilizado outro corante, a indocianina verde, que permite visualizar camadas mais profundas do olho.

As alterações visualizadas são fundamentais para a obtenção de um diagnóstico correto e para a opção de um tratamento eficaz. A angiografia irá detetar alterações na circulação sanguínea, defeitos estruturais nas paredes dos vasos sanguíneos e ainda o aparecimento de novos vasos anormais, como acontece em algumas patologias.

O médico oftalmologista não pode prescindir dos resultados deste exame, seja em situações de diabetes e do foro vascular da retina, ou situações de oclusão arterial, trombose venosa ou mesmo situações inflamatórias da retina e coroide, como, por exemplo, na presença de uma situação de degenerescência macular relacionada com a idade, membranas epirretinianas ou edema macular.

Sempre que este exame for prescrito, o doente tem direito a uma informação completa, incluindo os procedimentos e as informações importantes que são obtidas com as imagens que serão captadas no interior do seu olho. O profissional de enfermagem deve fazer um levantamento da história individual de saúde do doente, incluindo os casos de alergias medicamentosas ou manifestações adversas que já tenham ocorrido em anteriores exames e em que foi utilizado um produto de contraste. Contudo, mesmo o facto de terem ocorrido alguns efeitos secundários em exames anteriores não deve ser impeditivo de realizar uma angiografia com fluoresceína. Para os profissionais de saúde esse indicador é apenas motivo para um acréscimo de zelo, mas não é impeditivo da realização do exame.

Deve ser explicado que a fluoresceína é um corante e que, de entre todos os que são usados em exames de diagnóstico, é dos mais inócuos que existe. No entanto, não podemos ignorar que, mesmo assim, existe uma possibilidade, de 3 a 20%, de reações secundárias. As mais comuns incluem a referência a náuseas, vómitos, tonturas ou prurido. Sempre que um doente é referenciado com um potencial de risco, ou seja, com histórias de alergias anteriores, o profissional de saúde deve atuar com prevenção, confirmando se existe a possibilidade de alergia à fluoresceína, realizando um teste cutâneo. Em situações de reação mais grave, o profissional de saúde está preparado para contrariar a reação adversa, administrando a medicação protocolada para estes casos.

É ainda importante saber que para a realização deste exame não é necessário permanecer em jejum ou suspender a medicação habitual. É apenas exigida a dilatação da pupila, para uma maior facilidade e fiabilidade das imagens que se pretende obter. Porque se trata de um produto de contraste, o doente é ainda alertado que a urina ficará com uma coloração amarela brilhante durante um período que pode demorar 12 horas, após a administração. Depois de devidamente informado, o doente terá de assinar um documento, denominado consentimento livre e esclarecido.

Se a evolução tecnológica permite que, hoje, uma angiografia possa ser realizada usando uma quantidade mínima de produto de contraste, esse mesmo aperfeiçoamento técnico também lançou no mercado um novo equipamento que torna desnecessário o uso de contraste. Agio-OCT é a designação técnica do novo exame e, neste caso, as imagens são obtidas por tomografia de coerência ótica. O exame e os resultados não são exatamente os mesmos, mas há casos em que se pode recorrer a este tipo de exame, principalmente quando interessa perceber o comportamento dos vasos sanguíneos na área central da retina.

Catarina Ferreira

(enfermeira)

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