Os relatos dizem que é a pior dor do mundo. Medicação e cirurgia têm sido as soluções apresentadas, mas o tratamento por radiofrequência mostra ser uma opção a ter em conta para o tratamento da nevralgia do trigémeo
A nevralgia ou neuralgia do trigémeo é, frequentemente, descrita como a “pior dor do mundo”. Esta condição neurológica afeta o nervo trigêmeo, responsável pela sensibilidade da face, provocando crises súbitas de dores intensas, comparadas a choques elétricos de alta voltagem ou facadas no rosto, muitas vezes incapacitantes.
Costuma ter início e fim abrupto e ser extremamente incapacitante, com crises curtas, que podem durar de segundos a poucos minutos. Pode ser causada por compressão do nervo trigémeo por um vaso sanguíneo, esclerose múltipla, que pode danificar a bainha protetora do nervo (mielina), tumores ou quistos próximos ao nervo (o que é muito raro). Na maioria dos casos, a causa é idiopática (não identificada) e é mais frequente nas mulheres.
A dor pode ser desencadeada por estímulos simples e banais, como escovar os dentes, tocar no rosto, mastigar, falar ou até o vento frio. Normalmente afeta apenas um lado da face (direito ou esquerdo).
As pessoas descrevem esta dor como insuportável, superior a muitas outras dores crónicas, levando a um impacto extremo na qualidade de vida e, em casos graves, ao desejo por eutanásia ou suicídio assistido.
Normalmente, o tratamento passa pela administração de medicamentos anticonvulsivantes, que costumam ser a primeira escolha e, por vezes, pode ser necessária uma cirurgia, para descomprimir o nervo, especialmente quando este está a ser comprimido por um vaso.
Há outro caminho e também podem ser realizados procedimentos minimamente invasivos, quando os medicamentos não controlam a dor, a rizotomia é uma opção. É minimamente invasiva e recorre ao calor para desativar os nervos específicos.
A rizotomia com radiofrequência é uma técnica percutânea em que se usa um elétrodo, parecido com uma agulha, que sem cortes, permite entrar no orifício onde o nervo trigémeo tem origem (foramen oval) e onde se localiza o seu gânglio (trigeminal ou de Gasser).
O elétrodo é guiado por fluoroscopia (Raio X), o que permite ver com elevada resolução e em tempo real o trajeto do elétrodo sem necessidade de cortes. Uma vez no gânglio, a corrente elétrica de radiofrequência gera calor e aquece o nervo, inativando-o e impedido que continue a passagem dos impulsos nervosos dolorosos.
Este é um procedimento seguro e muito eficaz, realizado com anestesia local e sedação. O alívio é imediato e a “pior dor do mundo” pode ficar anos sem que retorne, podendo mesmo nunca mais voltar, eliminando assim a nevralgia do trigémeo.
Miguel Cordeiro
(Médico Neurorradiologista; OM n.º 42194)

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