O risco de um psicopata ir parar a uma prisão é grande, mas a probabilidade de liderar negócios também. A falta de empatia ajuda-o a chegar a CEO e a liderança será destemida

Porque é que os psicopatas podem ser líderes?

Quando se pensa nas características de um chefe, como alguém carismático, ambicioso, impiedoso e insensível, é possível ver que os traços de personalidade antissocial podem ser associados a homens de negócios, e não só a criminosos!

Habitualmente, os psicopatas são ardilosos, sedutores, mostram uma autoestima exagerada, e por isso podem ascender a cargos de poder. Entre líderes de negócios e CEOs, a psicopatia é cerca de 4 vezes mais frequente.

Estudos com ressonância magnética funcional (fMRI) mostram que os psicopatas são incapazes de experienciar emoções básicas humanas, como a culpa, o remorso e a empatia. A verdade é que a falta de empatia pode ajudar em ambientes de trabalho competitivo, quando é necessário tomar decisões, que trazem consequências negativas para os outros, em detrimento de si próprio. Pelo contrário, indivíduos que sejam muito emocionais no trabalho mostram estar em desvantagem em relação aos psicopatas, porque as decisões que tomam são nubladas pelo desejo de proteger os outros.

Líderes com traços de personalidade antissocial podem ser particularmente impulsivos, praticando uma liderança destemida, sendo irresponsáveis nos relacionamentos, acumulando várias relações conjugais, mostram falta de vontade de aceitar a responsabilidade pelas suas ações, sendo insensíveis e mentirosos.

Na ficção existem exemplos na serie televisiva Guerra dos Tronos, e na realidade há quem identifique políticos como Donald Tump, como tendo critérios de diagnóstico para psicopatia.

Os psicopatas são perigosos?

Os psicopatas têm um risco 20 a 25 vezes superior de prisão, e metade dos crimes violentos nos EUA são cometidos por psicopatas. Os psicopatas são capazes de tomar decisões não olhando aos outros, mas para além disso, mostram desejo de magoar os outros. 

Alguns psicopatas procuram emoções fortes, aborrecem-se facilmente, e procuram jogos mentais com um desejo de ganhar, em busca do que percebem ser as fragilidades das suas vítimas. Por vezes gostam de enganar quem os rodeia, sendo difícil identificar um psicopata que seja hábil e inteligente.

E são maus decisores?

Os psicopatas não são apenas perversos, mas mostram que realmente são maus a tomar decisões! Um estudo com fMRI realizado a 49 psicopatas na prisão, mostra que estes preferem uma recompensa monetária imediata menor, do que receber uma maior mais tarde.

No cérebro dos psicopatas, o córtex pré-frontal ventro-medial não comunica com o estriado ventral (estrutura do cérebro envolvida na recompensa imediata). Assim nos psicopatas, o estriado ventral mostra-se superativo, porque o córtex pré-frontal ventro-medial não controla o processamento da recompensa no estriado, o que os conduz ao sobrestimar do valor da recompensa imediata.

Os psicopatas têm tratamento?

Apesar das várias alterações dos circuitos neuronais comprovadas na psicopatia, estes jovens podem ser reabilitados. A psicopatia não se cura, mas os psicopatas podem aprender a ter uma vida normal. De facto, é sabido que os psicopatas são imunes à punição, não sentem culpa, nem remorsos, não sentem medo, e não aprendem com a retribuição, possivelmente devido à falta de conexão entre a amígdala e o córtex pré-frontal.

Contudo, em centros de reabilitação para jovens com psicopatia, com a intervenção psicológica, denominada ‘decompression model’, pretende-se dar uma recompensa imediata a cada ação ou gesto positivo, por mais pequeno que seja. Para além disso, a recompensa vai aumentado consoante a melhoria de comportamento, desde o “muito bem”, a uma sobremesa, até ao acesso a videojogos. Este programa mostrou reduzir o risco de recidiva em 50% de ofensas violentas à integridade física, e em jovens reduziu 6 vezes o risco de se envolverem em crimes violentos.

Sofia Morais
(Médica, Psiquiatra)

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