É dos métodos anticoncecionais mais seguros e o procedimento cirúrgico mais realizado nos Estados Unidos da América. Por cá, os homens preferem ignorar esta solução. Os falsos mitos e o medo de um risco de impotência sobrepõem-se às evidências científicas

A vasectomia é um método anticoncecional masculino descrito pela primeira vez na década de 50 do século passado e consiste na laqueação dos diferentes canais, responsáveis pelo transporte dos espermatozoides dos testículos (local da produção), para as vesiculas seminais (local de armazenamento), onde são eliminados pela uretra durante a ejaculação. Ou seja, a intervenção apenas altera o caminho, promovendo um desvio de “trânsito”, nada mais.

Este é um procedimento cirúrgico muito comum nos Estados Unidos da América, sendo mesmo o mais frequente e, por oposição, uma opção que os povos latinos não chegam a considerar, apesar de esta ser uma cirurgia simples e que ajuda a ter um planeamento familiar sem surpresas.

A intervenção é realizada em ambulatório e com anestesia local, consistindo em duas pequenas incisões escrotais, com laqueação e cauterização dos dois canais diferentes, o que demora cerca de 30 minutos. O método é seguro, tem uma baixa taxa de complicações e uma rápida recuperação, permitindo o retorno precoce às atividades diárias. Ou seja, apresenta um grande contraste com a laqueação tubar feminina, que necessita de internamento e anestesia geral.

A vasectomia é um método com uma baixa taxa de insucesso (<0,05%), sendo por isso um dos métodos anticoncecionais mais seguros. Contudo, o efeito de esterilização que se pretende não é imediato e deve ser confirmado pela realização de espermograma, a realizar após cerca de 20-30 ejaculações, eliminando os espermatozoides que estão a jusante da laqueação. Até à confirmação por espermograma as relações sexuais devem por isso ser protegidas.

Nos primeiros dias após a intervenção pode ocorrer dor, edema, equimoses locais e ainda algum desconforto testicular por algum tempo. Uma complicação rara é a dor escrotal prolongada por granuloma ou congestão testicular.

Esta é a verdade e a evidência científica, contudo, o sexo masculino e, principalmente, com origem em países latinos, envolvem este método anticoncecional com mitos, falsas ideias ou preconceitos. A verdade é que a cirurgia não é de alto risco, nem complicada, tal como a intervenção não é sinónimo de castração. Não afeta a masculinidade, não interfere no processo de ejaculação e o homem não fica impotente, nem perde o libido ou desejo, nem tão pouco o pénis diminui de tamanho. Sabemos que estes são alguns dos receios e por isso a necessidade de desmistificar a opção vasectomia.

Quem pode optar por uma vasectomia?

Qualquer homem que não pretenda ter filhos pode realizar o procedimento, contudo deve ser muito bem ponderado pelo casal, uma vez que o procedimento é tendencialmente definitivo. A reversão da vasectomia – com ou sem recurso a técnicas de reprodução médica assistida – embora possíveis, não oferece sucesso garantido.

Quais as contraindicações?

Este método anticoncecional não é recomendado a um homem jovem; com ausência de filhos ou com ausência de relacionamento afetivo atual e/ou estável.

Existe risco de disfunção eréctil/impotência ou diminuição da líbido (desejo sexual)?

Não, o bloqueio dos diferentes canais impede apenas a passagem dos espermatozoides, não interferindo na produção hormonal, não tendo nenhuma relação com alteração da libido ou do desempenho sexual, mas tão só com a reprodução.

A vasectomia engorda?

Não existe nenhuma alteração hormonal, nem evidência científica.

A vasectomia pode causar cancro?

Apesar de alguns estudos tentarem relacionar a vasectomia ao cancro (próstata e testículo), esses fatos nunca foram confirmados, e sim descartados, por muitas outras centenas de estudos de várias instituições com crédito científico.

A vasectomia leva a diminuição do pénis e dos testículos?

É completamente falso.

Os espermatozoides não eliminados são expulsos naturalmente?

Isto é verdade, porque os espermatozoides vão perdendo viabilidade, morrem e são absorvidos de forma natural, sem riscos para a saúde masculina.

A vasectomia protege contra DSTs (doenças sexualmente transmissíveis)?

A vasectomia não confere nenhuma proteção contra as DSTs, pelo que a prevenção recomenda a utilização de preservativo.

Silvio Bollini (Médico Urologista)

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