(Rasgadura da retina periférica provocada por um descolamento de vítreo)



Já sabemos que o vítreo é um gel que preenche a cavidade posterior do olho e que tem uma relação íntima com a retina, o tecido nervoso que “reveste” o interior do olho e que é responsável pela transformação dos sinais luminosos em elétricos. São estes sinais que, através do nervo ótico, seguem para o cérebro como impulsos nervosos e nos permitem ver.

O vítreo está aderente à face interna da retina e habitualmente existe uma harmonia total.

No entanto, o vítreo vai-se tornando mais liquefeito com o tempo e, subitamente, pode ocorrer uma contração, separando-se bruscamente da área macular (área nobre da retina onde é definida a visão central).

Esta alteração pode passar despercebida para alguns, mas também pode criar um quadro de turvação por condensações vítreas e fenómenos luminosos, que se vão atenuando em poucas horas/dias. Muitos descrevem ainda a presença de uma condensação maior, em forma de anel, semicírculo ou “moscardo”, que traduz a separação do vítreo do disco ótico.

Apesar do quadro poder ser aparatoso nalgumas pessoas, esta é uma situação fisiológica e, na maioria dos casos, sem sequelas. No entanto, e apesar dessa separação ocorrer na área mais posterior do olho, deve observar- se com cuidado toda a retina periférica.

Se houver descolamento do vítreo anterior, onde podem existir aderências mais significativas com a retina, há uma maior probabilidade de rasgadura. Caso exista uma rasgadura, a situação exige avaliação e o tratamento prescrito deve ser individualizado, pelo risco de poder evoluir para descolamento da retina. Conforme a situação clínica de cada doente, as opções podem passar por fazer fotocoagulação com laser ou mesmo uma cirurgia.

Se não forem detetadas lesões na retina periférica e sendo uma situação fisiológica, não se aconselham cuidados especiais, a não ser estar atendo a sinais de alarme, como aumento significativo das “moscas”, agravamento da perceção de “luzes” e/ou amputação de parte do campo visual.

Não há evidências clínicas de redução de risco com o repouso ou a toma de alguns fármacos anti-inflamatórios.

Ana Sofia Travassos
(Médica Oftalmologista)

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