É um ingrediente chave para o funcionamento do nosso cérebro, mas não só. O metabolismo celular também depende da sua existência, caso contrário não há crescimento nem reprodução celular. O bom funcionamento depende da dose certa.

São os altos níveis de glicose que estão a alterar o destino de vida de milhares de portugueses. Em condições normais, o nosso organismo dispõe dos instrumentos para controlar as doses de glicose necessárias a um bom funcionamento. Os níveis são controlados pelo pâncreas e os excessos são armazenados no fígado e músculos, para poderem ser aproveitados no intervalo das refeições. Mas, cada vez sobra mais do que o necessário, o fígado e os músculos não comportam todas as reservas. E por isso estamos cada vez mais obesos e mais doentes. Entrámos num ciclo de peixinho com rabo na boca.

Num tempo em que a alimentação não vinha do supermercado, mas tinha que ser conquistada, o nosso organismo adaptou-se à rotina da escassez alimentar, criando a capacidade de armazenar a energia que as células iriam precisar em períodos de jejum. Foi esta competência que assegurou a sobrevivência da espécie humana. Mas, milhares de anos depois, é este mesmo mecanismo de resposta que está desadaptado à sociedade que criámos.

O fornecimento de glicose ao nosso organismo é feito quando nos alimentamos, em concreto, quando ingerimos batatas, farinha, arroz, pão, cereais ou massas, peixe ou carne e frutas. São vários os órgãos que dependem da presença dessa mesma glicose. Em concreto, o cérebro que, por si só, necessita obrigatoriamente de glicose para um funcionamento normal.

O sistema é perfeito e os vários intervenientes sabem qual a sua missão. A desestabilização surge quando há falhas na produção de insulina, por incapacidade do pâncreas ou quando o excesso de glicose provoca um aumento de produção de insulina.

Sempre que a quantidade de glicose aumenta no nosso sangue, o pâncreas cumpre a sua função e liberta as quantidades de insulina necessárias para regular essa concentração. É isso que acontece depois de uma refeição. Por outro lado, é a insulina que tem a missão de transportar essa mesma glicose para o interior das células. As sobras são encaminhadas para o fígado e músculos, mas quando este armazenamento está completo, o excesso de glicose é acumulado em forma de gordura. Razão porque os níveis de insulina aumentam proporcionalmente com o grau de obesidade.

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