
Estabilizar o olhar, a postura e a marcha é o caminho para deixar de andar na corda bamba. As vertigens e a perda de equilíbrio não são iguais para todos. Será necessário saber gerir os erros emitidos na informação sensorial. As estratégias podem incluir terapêuticas instrumentais ou apenas caminhadas. Yoga ou tai-chi não são de excluir.
As patologias que se relacionam com a disfunção do sistema vestibular são várias e as estratégias de intervenção variam muito de acordo com a causa. Por exemplo, a vertigem posicional paroxística benigna deve ser identificada e corretamente reabilitada com manobras de reposicionamento de acordo com o canal semicircular implicado, uma vez que diz respeito a uma incorreta localização de pequenas otocónias (vulgarmente conhecidas como cristais) num dos canais semicirculares com proveniência da mácula utricular e que fazem uma estimulação anormal do nervo vestibular em determinadas posições corporais.
Já outras entidades como nevrite vestibular ou doença de Ménière, necessitam de abordagens progressivas na fase aguda e, posteriormente, implicam lidar com défices residuais, tentando acelerar a compensação central.
Outras doenças, como as lesões do nervo auditivo (por exemplo schwanomas vestibulares) operadas ou não, bem como lesões centrais diversas precisam, frequentemente, de diferentes programas de reabilitação vestibular para que se possam compensar as alterações do equilíbrio: pode existir uma deficiente utilização das informações sensoriais (vestibular, visual e somato-sensorial), ou alterações das respostas motoras, ou ainda estratégias de equilíbrio inadequadas, desvios do centro de gravidade ou limites de estabilidade alterados. Estes doentes devem ser avaliados em consulta de otoneurologia e será efetuado exame físico direto, complementarmente a exames auxiliares que nos fornecem informações sobre o ouvido interno.
A avaliação funcional, nomeadamente da posturografia dinâmica, é um método que permite avaliar de forma quantitativa a contribuição dos captores sensoriais (visual, vestibular e proprioceptivo) no equilíbrio do indivíduo. A posturografia dinâmica computorizada permite também intervir na reabilitação, de forma terapêutica. É a partir destes dados que se desenha a estratégia de intervenção que será definida para cada pessoa de acordo com os achados e limitações de cada um.
Existem atualmente vários métodos de reabilitação da vertigem que podem variar entre manobras reabilitadoras, estimulação optocinética, uso de cadeira rotatória, treino proprioceptivo, exercícios de habituação e treino em plataforma de posturografria. Estas estratégias, nas alterações posturais, são aplicadas através de biofeedback, ou reaprendizagem por condicionamento: ao produzir conflitos sensoriais, gradualmente maiores, resultando em respostas posturais mais aperfeiçoadas, acabam por originar diminuição dos sintomas. As plataformas de posturografia dinâmicas permitem este trabalho instrumental; existem também plataformas com recurso a realidade virtual que são opções válidas para estabilizar o olhar, a postura e a marcha.
Os métodos de intervenção devem ser adaptados ao grau de incapacidade, ao perfil psicológico da pessoa e enquadrados de forma a serem complementares. Além disso, devem ser introduzidos de forma progressiva, permitindo uma evolução que favoreça a confiança e o envolvimento da pessoa, não fomentando a sua frustração nem contribuindo para a diminuição da sua autoestima.
Uma atuação no campo da reabilitação vestibular implica sempre a condução de programa em sessões acompanhadas, nomeadamente com treino instrumental, mas também exercícios de reabilitação no domicílio que são fundamentais e que necessitam do empenho do doente, com vista à melhoria das limitações do dia-a-dia.
Os resultados da reabilitação vestibular estão dependentes de muitos fatores. Existem, no entanto, fatores externos que prejudicam a reabilitação, tais como os medicamentos vestíbulo-depressores que atrasam a compensação vestibular, ou os défices visuais ou ainda a coexistência de doenças crónicas incapacitantes, como a diabetes mellitus, a obesidade ou a patologia músculo-esquelética, que devem ser minimizados e adotadas estratégias personalizadas. É também importante informar o doente sobre possível agravamento dos sintomas no início da intervenção, evitando com isso desânimo ou falta de adesão à terapêutica.
Nas pessoas com vertigens ou alterações de equilíbrio, o incentivo à melhoria da condição física em geral adaptada à sua idade e gosto pessoal deve ser fomentado, pois contribui para uma melhoria do seu equilíbrio: caminhadas com ou sem estímulo visual (exemplo centro comercial ou estrada) são uma boa opção; outros desportos alternativos que incorporem equilíbrio e relaxamento como o yoga ou tai-chi serão excelentes opções. Um programa integrado e personalizado pode trazer o bem-estar e confiança ao doente e permite caminhar novamente em terreno firme, abandonando a corda bamba.
Ana Margarida Simões
(médica otorrinolaringologista)
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Boa noite
Gostava de saber se existe algum tratamento cirúrgico que evite a vertigem já que esta está a ficar frequente e com betaserc não vai lá. A única coisa que noto agora é deixar de vomitar durante as crises.
ReplyObrigado
A cirurgia ainda não resolve este problema, existem sim vários tratamentos que se devem adequar a cada indivíduo, em função da dimensão do problema. Se desejar uma consulta de avaliação, sugerimos que agenda com o Dr. Luís Filipe Silva, https://www.ccci.pt/doctor/luis-filipe-silva-2/
ReplyCaso queira marcar uma consulta, deverá contactar-nos pelo número 239 802700
Existe alguma forma de tratamento da enxaqueca vestibular ,sem ocorrência de enxaqueca propriamente dita , que possa ser levado a cabo e que não inclua a via medicamentosa?
ReplyEssa é uma questão que deve colocar especificamente em consulta. O seu médico assistente pode explicar as alternativas que existem e o doente deve perceber se consegue implementar alguma/s
ReplyEm Outubro de 2010 acordei sem equilíbrio algum foi um período de 5 a 6 meses sem conseguir andar sozinha na rua ou até mesmo dentro de casa só conseguia andar agarrada às paredes. Depois de uma consulta com um neurologista e após toma de fármacos utilizados para depressão e ansiedade o equilíbrio foi voltando. Contudo ainda sofri alguns sustos como mergulhar debaixo de água e ficar no fundo da piscina porque não fazia ideia onde era a superfície já para não falar que a minha cabeça foi ao fundo como uma pedra. Tenho sofrido muito ao longo destes 8 anos teve de aprender muita coisa de novo, assim como aceitar a perda auditiva. Hoje em dia uso próteses porque o doutor Leonel Luís, que me seguiu em Santa Maria disse que não existe tratamento/cirurgia, nada que me cure. Em 2010 eu tinha 28 anos… hoje tenho 36, tento levar uma vida dentro da normalidade, há dias piores que outros. O que eu gostaria mesmo era de deixar a medicação dos anti depressivos, mas sempre que deixo sinto dentro da minha cabeça barulhos idênticos aos de um fio eléctrico em curto circuito. Será que vou depender o resto da minha vida destas drogas?
ReplyBom dia Bárbara. A situação que nos expõe não é linear e nas questões das vertigens e equilíbrio existem algumas variantes. Sem uma avaliação em consulta é impossível responder à questão que coloca, sugiro que consulte um médico otorrinolaringologista, com competência na área do equilíbrio e espero que consiga recuperar
ReplyBoa tarde,
Tenho tontura, vertigens e desequilíbrio há 11 anos após uma cesariana. Neste momento, ando todo o dia com a cabeça tonta e quando me desloco em carro ainda fico pior. Quando toco no meu ouvido direito, tudo roda, no esquerdo não acontece nada. Queria que me informassem do que se trata e de algum tratamento. Já fiz angiografia e ressonância magnética ao cérebro e estava tudo bem. Fiz também TAC aos ouvidos e estava tudo bem. O problema é que ando constantemente estonteada e de vez em quando lá vem a vertigem e tudo começa a girar a minha volta e do estabiliza quando fixo o olhar num ponto.
ReplyObrigada
Bom dia. Pelo que descreve, sugerimos que consulte o Dr. Raimundo Fernandes, neurocirurgião, pela sua vasta experiência em casos de difícil diagnóstico.Em alternativa, também poderá recorrer à Dr.ª Paula Pereira, anestesista, a nossa especialista nas consultas de dor crónica. Espero ter ajudado.
ReplyBom dia
Desde há cerca de 20/30 anos que tenho tido tais períodos de vertigem.
O estudo do foro ORL confirmou a origem no ouvido interno.
Gostaria de saber qual o médico que se dedica a esta área.
Melhores cumprimentos,
ReplyAngela Lopes
Bom dia, sugerimos que agende consulta com o Prof. João Lemos. Encaminho o link de acesso à página pessoal.
Replyhttps://ccci.pt/doctors/joao-lemos/
Se consultar a nossa revista Olhares, edição 38, pág. 24, encontrará um texto que explica todos os detalhes deste sintoma, a vertigem. Espero ter ajudado.