É uma doença sexualmente transmissível e altamente contagiosa, fatores que explicam a construção de mitos à volta da infeção por Vírus do Papiloma Humano (HPV). A simplicidade dos factos ajuda a descomplicar e a perceber os riscos de uma infeção que pode evoluir para cancro. A infeção por HPV pode acontecer em qualquer idade, não escolhe o estado civil ou o tipo de relação e tanto acontece numa relação duradoura, como numa noite de sexo esporádico. Acrescente-se que homens e mulheres transmitem este vírus sem que se apercebam de algo, até porque o vírus pode ficar adormecido meses ou anos
Tenho um diagnóstico de infeção por HPV; devo dizer ao meu companheiro(a)?
Sim, sem dúvida. Mas lembre-se que a maioria dos adultos sexualmente ativos vai adquirir 1 ou mais tipos de HPV ao longo da vida e, muito particularmente, nos primeiros dois anos após iniciarem a atividade sexual. Portanto, o(a) parceiro(a) já teria sido exposto ao HPV quando a infeção é detetada.
Posso ter uma infeção por HPV estando casada com a mesma pessoa há muitos anos?
As doenças sexualmente transmissíveis do tipo HPV tanto podem ser transmitidas numa relação duradoura e séria, como numa noite de sexo esporádico. Um estudo efetuado em mulheres de média idade (média 45 anos) e de classe social média, a grande maioria casada há mais de 10 anos e com filhos, evidenciou que 21% estavam infetadas com HPV.
Posso transmitir o meu HPV ao meu marido?
O HPV é transmitido durante as relações sexuais e o simples contacto genital, mais frequentemente durante o sexo vaginal e anal. Como a infeção por HPV não causa sintomas, a grande maioria dos homens e mulheres adquire o vírus e transmite-o sem se aperceber de nada.
Como posso evitar a transmissão da infeção por HPV ao meu companheiro(a)?
Existem algumas formas para evitar a contaminação aos parceiros sexuais, tais como:
a) utilizar sempre o preservativo nas relações sexuais vaginais e anais e, até, a chamada barreira dentária no sexo oral;
b) evitar em absoluto o contacto pele-pele ou pele-mucosa quando existem verrugas genitais visíveis; neste caso, mesmo com preservativo o sexo deve ser evitado já que existem sempre áreas não cobertas / protegidas pelo preservativo;
c) parar de fumar é uma atitude de imenso valor na prevenção da infeção por HPV;
d) falar abertamente com o parceiro, discutirem o problema em conjunto com o médico e incentivá-lo a ser vacinado são atitudes maturas e que em muito contribuem para o esclarecimento entre o casal e prevenção de transmissão da infeção.
A infeção por HPV significa infidelidade ou pode existir mesmo em relações monogâmicas?
Apesar de a transmissão do HPV ser de natureza sexual, não indica necessariamente infidelidade. Não há forma segura de determinar quando se adquiriu o HPV ou quem o transmitiu a quem. Por outro lado, mesmo no caso de ambos os elementos do casal serem monogâmicos, podem partilhar o vírus eternamente, num “vai e volta” constante até a infeção se manifestar ou, ao contrário, ficar adormecida ou latente.
Posso adquirir o HPV por contágio não sexual?
Não é necessário haver penetração vaginal ou anal para adquirir infeção por HPV. Na verdade, basta um contacto repetido pele-pele, mucosa-mucosa ou pele-mucosa. Para a penetração do HPV no colo é necessário que existam pequenas “feridas” e, portanto, que o colo permita a penetração do HPV até à camada mais profunda. Em colos íntegros e saudáveis o HPV ficará à superfície e não causará danos.
Posso ficar infetada pelo HPV nas casas de banho públicas?
O HPV não é transmitido através de superfícies como os tampos de sanitas ou semelhantes. Também não é transmitido através da partilha de roupa íntima ou de toalhas. Da mesma forma não é possível adquirir uma infeção por HPV em piscinas ou nos bidés. É necessário haver um contacto íntimo pele/pele ou pele-mucosa e a existência de verrugas ou áreas com suficiente carga viral.
O stress pode causar infeção por HPV?
O stress não é causa de infeção mas pode exacerbar a mesma e impedir a sua regressão ou desaparecimento espontâneo. Efetivamente, diversos estudos internacionais evidenciaram que as mulheres com depressão crónica e excesso de stress têm uma maior probabilidade de persistência da infeção.
O esperma pode conter e transportar o HPV?
Estudos muito recentes evidenciaram que a infeção por HPV pode estar presente no esperma e este vírus está potencialmente implicado na infertilidade masculina. Aguardamos estudos mais conclusivos nesta área.
Posso transmitir o HPV ao meu filho durante a gravidez?
Apesar de raro, a infeção pode ocorrer durante o parto, causando vários tipos de problemas no recém-nascido, particularmente a nível respiratório.
A infeção por HPV é um problema muito grave?
Apesar de ser a doença sexualmente transmissível mais frequente, não é geralmente a mais grave. Na maioria dos casos desaparece por si só e a pessoa nem sabe que esteve infetada pelo HPV. No entanto, nem sempre é assim. Desta forma, depois de diagnosticada em exame de rotina, a mulher deverá procurar opinião especializada na área para não ter, precisamente, um problema grave.
O HPV pode ficar “adormecido” muito tempo?
Precisamente. O HPV pode ficar latente (escondido) nas células do colo do útero durante meses ou anos, podendo ultrapassar os 10 anos; enquanto latente, ele está inativo, não poderá ser detetado pelos testes habituais e não causa problemas. A qualquer momento, o vírus pode “acordar” e a infeção emergir, a maioria das vezes devido a alterações do sistema imunitário, mas também o tabaco e alterações mais ou menos profundas do estilo de vida têm comprovada influência nesta modificação de estado latente para infeção patente.
Vou ter HPV para sempre?
A maioria das infeções por HPV em jovens são transitórias, mantendo-se não mais do que 1 a 2 anos e o próprio organismo e seus mecanismos imunes conseguirão “limpar” o corpo e acabar com a infeção. Estima-se que apenas uma percentagem reduzida de infeções (cerca de 20%) persistem no corpo da jovem além dos 2 anos. Em idades mais avançadas, particularmente após os 35 anos, a possibilidade de cura espontânea é menor.
O HPV vai continuar contagioso por toda a vida?
O HPV é altamente contagioso e transmite-se através de contacto íntimo, sobretudo o contacto sexual. Está demonstrado que a maioria das pessoas sexualmente ativas irão ser infetadas pelo HPV em alguma altura da vida, mais frequentemente nos primeiros meses/anos após o início da atividade sexual. No entanto, a infeção por HPV tipicamente não causa sinais nem sintomas, portanto não é possível determinar se o HPV se mantem ativo e capaz de contagiar, daí, a necessidade de manter uma vigilância adequada após o primeiro diagnóstico.
Existe um tratamento para a infeção por HPV?
Existe tratamento para as consequências provocadas pela infeção por HPV a nível das células e dos tecidos. Uma infeção por HPV pode causar as chamadas lesões intra-epiteliais de baixo grau (LSIL) e de alto grau (HSIL), entre outras que, no caso de não serem tratadas, poderão evoluir para cancro. Estas lesões têm tratamentos comprovadamente eficazes que variam conforme determinados fatores e parâmetros e que devem ser sempre efetuados por médico com especialidade de Ginecologia e subespecialidade em Patologia Cervico-Vulvar. O HPV propriamente dito nem sempre desaparece do organismo, mesmo após tratamentos eficazes das lesões do colo, da vulva ou da vagina por ele provocadas. Compete ao próprio sistema imunitário da mulher combater este vírus.
Existem fatores de risco para a infeção por HPV evoluir para cancro?
Sim, existem e devem ser eliminados. Desde logo, os comportamentos sexuais de risco como o início de atividade sexual muito precoce (antes dos 15 anos), múltiplos parceiros sexuais ou um parceiro que tem outros parceiros, parceiro com uma ou mais doenças sexualmente transmissíveis ativas ou antigas, a não utilização de preservativo em relações sexuais esporádicas ou num novo relacionamento. Também determinadas doenças e fatores que diminuem a capacidade de o sistema imune combater a infeção e o tabagismo são os principais fatores de risco para a evolução de uma lesão pré-maligna. A permanência do HPV nos órgãos genitais do parceiro é um importante fator.
Posso evitar o aparecimento de cancro do colo do útero?
SIM! O cancro do colo do útero poderia ser praticamente erradicado à superfície do nosso planeta se determinados factos e ações fossem conhecidos e controlados. Um rastreio eficaz através do teste do HPV é obrigatório podendo ou não ser acompanhado da citologia do colo do útero. O teste de Papanicolau deixou de ser considerado o teste mais eficaz de rastreio. O recurso a centros de patologia cervical ou a ginecologistas com esta subespecialidade é obrigatório perante um teste positivo para HPV capaz de causar cancro. A partir daí é da responsabilidade do médico a orientação correta da doente e tratamento eficaz das lesões pré-malignas.
Margarida Figueiredo Dias
(Médica Ginecologista/Obstetra)

Boa noite
ReplyGostaria de colocar uma questao.
Tem alguma vantagem vacinar com
a gardasil 9 alguem que ja foi vacinado c a gardasil 4?
Obrigado
Bom dia, de acordo com a evidência científica não está indicado fazer nova vacina com Gardasil 9, depois de ter sido vacinada com Gardasil 4.
ReplyBoa noite.
Recebi hoje da minha médica a informação de que estou com HPV, mas não é o vírus mais agressivo. Testei negativo para o 16 e 18.
ReplyFui encaminhada para fazer a colposcopia.
A minha dúvida é: meu esposo deverá fazer algum exame ? Sou casada há 11 anos e estamos juntos há 13. Nestes últimos 13 anos nao tive outro parceiro . Ele deverá procurar um médico também?
Obrigada.
Bom dia, a nossa especialista Prof. Margarida Figueiredo Dias, esclarece que “Existem outros tipos de vírus potencialmente oncogénicos além do 16 e 18. A informação que dá não é suficiente para responder com certeza à sua questão. Se estiver em causa um dos sub-tipos oncogénicos (suscetível de provocar cancro) sim, o seu marido deverá também ser orientado. São múltiplos os fatores que podem alterar o tipo de orientação.
ReplyDeveria aconselhar-se com um especialista em patologia cervico-vulvar”.
Boa noite,
Após um rastreio em Fevereiro, informaram-me em finais de Julho que a minha citologia apresentava alterações celulares, tipo 16 e 66.
ReplyPelo que li estes dois tipos têm um elevado risco de serem oncogénicos, confirma?
Após este resultado, uma colposcopia poderá indicar o quão avançadas estão as lesões?
E por último, o facto de ter estes dois tipos implica que fui infectada diretamente com eles ou cada sistema imunológico reage ao HPV de forma diferente e como tal pode derivar em tipagens diferentes?
Agradeço toda a informação adicional que me possa dar!
Boa tarde, a nossa especialista Prof. Margarida Figueiredo Dias esclarece que sim, “é verdade que os sub-tipos que indica podem originar lesões com potencial de transformação maligna. A capacidade evolutiva das lesões, a velocidade de transformação e os fatores de risco associados variam de mulher para mulher. Em parte estas variáveis estão dependentes do sistema imunológico e da capacidade individual de combater o vírus; no entanto, existem outros fatores capazes de modificar a evolução da doença quer no sentido da cura espontânea, quer no sentido de malignização”.
ReplyBoa tarde, a nossa especialista, Prof. Margarida Dias responde aos esclarecimentos adicionais que nos colocou: “Sim, é verdade que os sub-tipos que indica podem originar lesões com potencial de transformação maligna. A capacidade evolutiva das lesões, a velocidade de transformação e os fatores de risco associados variam de mulher para mulher. Em parte estas variáveis estão dependentes do sistema imunológico e da capacidade individual de combater o vírus; no entanto, existem outros fatores capazes de modificar a evolução da doença quer no sentido da cura espontânea, quer no sentido de malignização.”
ReplyBoa tarde,
ReplyJá há 3 anos que foi diagnosticado HPV tipo 16, e continua sem desparecer. Tinha uma lesão no colo do utero, e tive que fazer uma conização. Entretanto o colo do utero já não apresenta problemas mas o HPV nao desaparece. Tanto eu como o meu companheiro já fizemos a vacina (ultima dose no inicio deste ano).
Pretendo engravidar, como passo fazer sem que o meu companheiro tb fique infectado com o hpv? quais são os riscos de engravidar tendo HPV? é transmitivel ao fecto?
De salientar que também tenho anemia Lepor (é herditária).
Obrigado
Boa tarde Cátia, as questões colocadas carecem de uma consulta de avaliação, é esta a opinião da autora do texto, Margarida Figueiredo Dias, médica ginecologista.
ReplyBoa tarde. Tenho um diagnóstico de hpv tipo 58 com lesões intra-epiteliais de baixo grau. Vou iniciar a toma das vacinas. A minha questão é a seguinte: posso continuar a ter relações sexuais com o meu namorado, ou isso terá riscos, como a progressiva passagem do vírus de um para o outro, por exemplo, durante o tratamento? Ele também deveria ser vacinado? Obrigada
ReplyBom dia, a dúvida levantada exige o conhecimento completo da situação clínica e de potenciais fatores de risco associados, razão pela qual deve consultar o seu médico e colocar-lhe essas questões, é esta a sugestão de Margarida Figueiredo Dias, médica ginecologista.
ReplyOlá fui diagnosticada com o hpv 58 mas a médica, apenas disse para deixar, passar um ano e voltar a repetir o exame a ver de da negativo , no entanto tive a ver , e é uns de alto risco ..
ReplyDevo ou não fazer alguma coisa?
Boa tarde, a Prof. Margaridas Dias, médica ginecologista e autora do texto que leu, esclarece que “O HPV 58 é um sub-tipo de alto risco para cancro do colo do útero. As orientações obrigam à realização de uma citologia do colo do útero em meio líquido, a realizar logo após o resultado que recebeu (HPV 58 positivo). A decisão de manter vigilância ou fazer outros exames ou tratar de imediato depende do resultado dessa citologia.
ReplyBoa noite
ReplyTodos os anos faço o papanicolau e este ano tive de repetir porque fpi detectado algo, quando fui ao hospital repetir o exame disseram-me que era provavel ter o vírus HPV grau 1… Não tive muitos companheiros e o meu companheiro atual está comigo a 1 ano, sem interrupções na relação. Ele deve também ver se tem o HPV?
O vírus é grave?
Posso contagia-lo?
Demora a desaparecer?
O vírus aparece no nosso organismo do nada?
Obrigada
Bom dia, a autora deste texto, Prof. Margarida Dias, acrescenta que “o vírus não aparece do nada; é fruto de contágio por contacto íntimo entre humanos de todos os géneros”, contudo, as restantes questões que nos coloca devem ser esclarecidas em contexto de consulta
ReplyEu tou casada há mais de 20 anos com o mesmo homem nestes 20 anos não tive nenhum homem só ele é ele só me teve a mim como apanhei o vírus já fis outras vezes o isame nunca deu positivo como apanhei se só tou com ele e ele comigo
ReplyBoa noite, em resposta às suas dúvidas, a Prof. Margarida Dias esclarece que, de facto, “a questão que coloca é muito pertinente e comum a muitas mulheres e muitos casais. O vírus HPV tem ainda muitos mistérios e um deles é, precisamente, essa questão. O vírus pode permanecer «adormecido» muitos anos ou toda a vida, sendo detetado, apenas, muito tempo, mais de 20 anos, depois da infeção.” Esperamos ter ajudado. Fique bem.
Reply