O corpo agradece, porque o ser humano não foi feito para permanecer muitas horas sentado, mas o exercício físico intenso também pode levar a um aumento de risco de eventos fatais. O exame-médico desportivo pode prevenir.

São universalmente reconhecidos os contributos da atividade e do exercício físico moderado para o bem-estar físico e mental e a saúde dos indivíduos. Todos reconhecem as suas vantagens e por isso mesmo é recomendado para todos os adultos saudáveis.

Para os adultos saudáveis e até aos 65 anos de idade, a prática de atividade física pode ser moderada de, pelo menos, 30 minutos diários, em cinco dias da semana ou, de maior intensidade, durante 20 minutos em três dias da semana. É ainda sugerido que a atividade física inclua a realização de exercícios para a força e resistência muscular, duas vezes por semana, com um intervalo de 48 horas entre cada sessão para o mesmo grupo muscular.

Para todos os que têm mais de 65 anos, as propostas de exercício físico devem ser individualizadas, tendo em atenção a prevalência de doenças, mas também as particularidades do envelhecimento geral dos diversos órgãos.

A atividade física regular vai contribuir para a melhoria da função cerebral e da qualidade de vida em geral, salientando-se a importância determinante no combate à obesidade, bem como na diminuição do risco de morte prematura, de doença cardiovascular e trombose, de diabetes tipo 2 (a forma mais frequente de diabetes mellitus), de osteoporose e incidência de cancro do cólon e da mama, entre outros.

O exercício físico é particularmente favorável à melhoria da condição cardiorrespiratória, porque promove o aumento da capacidade máxima de consumo de oxigénio, ajuda a diminuir a frequência cardíaca e a tensão arterial, contribuindo para uma melhoria generalizada da circulação sanguínea. É ainda uma arma terapêutica aconselhada no tratamento da diabetes, promovendo a redução da resistência dos tecidos orgânicos à insulina e facilitando a entrada da glicose (”açúcar” que circula no sangue) nas células. O exercício físico é ainda decisivo nos processos de redução da gordura, eleva o valor sanguíneo do colesterol-HDL (o “bom” colesterol) e baixa o nível de triglicéridos.

Apesar dos evidentes benefícios do exercício físico regular, transitoriamente, durante a prática de atividade intensa há um aumento de risco de eventos fatais em indivíduos com doença manifesta ou desconhecida. É, pois, em razão disso, necessário que todos os indivíduos sejam objeto de prévia avaliação médica para determinação do seu risco durante a prática de exercício.

Idealmente, para diminuir o risco de lesão e evento fatal e para manutenção ou melhoria da condição física, qualquer atividade que implique o exercício físico deveria envolver um acompanhamento técnico multidisciplinar, incluindo médico e treinador/preparador físico.

Portugal, o Exame Médico-Desportivo é obrigatório apenas para a prática desportiva federada. Fora de qualquer competição federada, não constitui obrigação para quem deseje iniciar ou desenvolver atividade física. Todavia, considerando a importância de avaliar a aptidão de condição física e de saúde de cada um para a prática do exercício físico, a realização de exame, de acordo com os protocolos médicos próprios, deveria ser uma rotina obrigatória.

A avaliação realizada poderá determinar a intensidade, a frequência e o tipo de exercício a realizar e, naturalmente, sugerir procedimentos a observar, tais como a alimentação e o equipamento mais adequado para cada caso particular. O decorrer da avaliação permite conhecer o passado do praticante, saber da existência de doença já diagnosticada, detetar doença não conhecida e verificar medicação anteriormente prescrita. A participação em atividades físicas é, em geral, uma mais-valia para a saúde dos indivíduos, mas a falta de acompanhamento adequado tem riscos que não devem ser negligenciados.

Paulo Queiroz

(médico, clínica geral)

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