Levantar e caminhar continua a ser um dos grandes desafios da medicina musculoesquelética contemporânea. O sistema robótico permite atingir a elevada precisão. Já contamos com uma experiência acumulada de mais de 200 cirurgias assistidas pela robótica


Há cerca de dois milhões de anos, um acontecimento determinante moldou o percurso da nossa espécie: a evolução para  postura bípede. Ao erguer-se, o hominídeo libertou as mãos, ampliou o campo visual e inaugurou uma nova relação com o espaço, com o tempo e com a técnica. 

A visão binocular, o polegar oponível e a reorganização biomecânica do esqueleto criaram as bases daquilo que viria a tornar-se o Homo Sapiens.

A coluna em “S”, capaz de absorver impactos, a pélvis adaptada à estabilidade do tronco e o arco plantar, que sustenta e impulsiona o movimento, são exemplos notáveis de adaptação evolutiva. Caminhar não é apenas deslocação — é uma conquista biológica complexa, que envolve equilíbrio, coordenação e precisão neuromuscular. Preservar essa capacidade constitui um dos grandes desafios da medicina musculoesquelética contemporânea.



Humanidade e rigor na medicina atual

A evolução tecnológica na ortopedia permite uma compreensão cada vez mais detalhada da cinética muscular, da dinâmica articular e da biomecânica individualizada. Hoje sabemos que restaurar mobilidade com previsibilidade exige planeamento rigoroso, execução precisa e respeito absoluto pela anatomia de cada doente.

Neste contexto, a cirurgia assistida por sistema robótico representa uma ferramenta de elevada precisão. No caso da prótese do joelho e da anca, o planeamento digital tridimensional permite simular previamente o procedimento, otimizar o posicionamento dos implantes e reduzir as margens de erro intraoperatório.

A tecnologia não substitui o cirurgião. Pelo contrário, exige maior responsabilidade técnica e capacidade de decisão clínica. O robot Mako é um instrumento; o julgamento permanece humano.

Precisão ao serviço da função

A personalização do procedimento cirúrgico, baseada em dados anatómicos específicos de cada pessoa, traduz-se numa maior consistência na execução. Um alinhamento mais preciso dos implantes contribui para uma recuperação funcional mais previsível e para uma maior satisfação pós-operatória.

Com a experiência acumulada em mais de 200 cirurgias assistidas por robótica, mantemos como prioridades a segurança, a transparência e a indicação criteriosa. Sabemos que nem todos os casos requerem tecnologia avançada — mas temos a certeza de que todos requerem ponderação e ética clínica.

O objetivo permanece simples e exigente: devolver função, reduzir a dor e permitir que cada pessoa retome aquilo que é estruturalmente humano — o movimento autónomo. Porque, no fundo, a história da ortopedia é a continuação daquele primeiro gesto ancestral: levantar-se e caminhar.

Pedro Marques
(Médico Ortopedista; OM n.º 39250)

—————–

Este conteúdo pode configurar publicidade institucional da INTERCIR – Centro Cirúrgico de Coimbra, S.A. | NIPC 503 834 971 | ERS E106499 | Licenças UPS 3/2010 (aditamento Licença de Funcionamento UPS 07/02.00) e 9072/2015 | 3045-089 Coimbra

Deixar um Comentário