Se todo o comportamento é um ato de comunicar, não raras vezes essa comunicação é feita em silêncio. Como dar som ao silêncio e criar uma comunicação funcional sem oralidade? 

Qual o som do silêncio? O som do silêncio usa gestos, expressões, movimento, cor… Usa firmeza, leveza e a agilidade de um corpo que dança ao ritmo e à intensidade da emoção! O som do silêncio fala com o olhar… com o sorriso… 

A impossibilidade de usar a fala para comunicar é muito incapacitante, provoca impotência e atira-nos para a inércia. Falar é uma habilidade humana primária e, se uns não sabem muito bem como usar esta ferramenta, outros não conseguem de todo falar, seja nos casos de autismo, paralisia cerebral, pós traumatismos ou pós AVC. E acreditem, não acontece só aos outros ou a quem já nasce assim, pode acontecer a cada um de nós.

 Às vezes, a fala também “atrapalha”… “Atrapalha” quem quer falar mas não sabe o que dizer, como dizer e quando… “Atrapalha” porque nem sempre é necessária… Mas há quem pense que sim e se sinta mal por não ser um bom utilizador. 

“Atrapalha” porque nem sempre surge quando deveria surgir. Outras vezes, é a própria fala que se “atrapalha” e vira tudo numa grande trapalhada. Na própria designação, Terapeuta da Fala, também atrapalha porque o vocábulo “Fala” reduz a profissão no que são as suas áreas de abrangência.

Sabia que comunicar não é só falar? 

Comunicar nem sempre é sinónimo de oralidade, de som… É nessa altura que o silêncio passa a ser de oiro. 

A comunicação eficaz ocorre quando as intenções e significados dos parceiros são compreendidos, alcançando-se um entendimento comum, um “espaço partilhado” onde a função é mais importante que a forma.

Todo o comportamento é um ato de comunicação! Para comunicar, é comum recorrer-se à linguagem falada de forma automática sem a consciência de como esse processo é complexo. No entanto, existem outras formas complementares (gestos, contacto visual, expressões corporais e faciais, toque, …) que permitem clarificar o contexto e a mensagem transmitida. 

Há alternativas, outros contextos, apoios ou complementos. As dificuldades de expressão oral são preenchidas com a comunicação aumentativa e alternativa. Muda-se o código e mantém-se a intenção e a reciprocidade comunicativas.

Sem máscaras e frente a frente

A imersão visual é impactante, na medida em que esclarece a linguagem e dá suporte à comunicação expressiva e facilita a aprendizagem.

Num contexto em que nos foi retirada “meia” expressão facial, espera-se que a vulnerabilidade comunicativa fique exposta e comprometa aquisições linguísticas, nomeadamente na criança que acede à informação preferencialmente pela via visual. Exige-se o frente a frente, sem máscaras e recorre-se a outras formas, que não a linguagem verbal oral. 

A comunicação aumentativa mostra que é possível dar um “som” ao silêncio. Como? Com símbolos, recorrendo a gestos, sinais ou imagens; aplicações eletrónicas (app) e software específico através de estratégias simples, como apontar.

Basta descobrir como transformar o silêncio em comunicação funcional.

Desculpem a minha linguagem e todo este léxico, esta morfologia e sintaxe. Servem apenas para vos mostrar que ser Terapeuta da Fala é dar tudo o que se sabe, sem vírgulas, pontos de interrogação e exclamações e, apenas, (pontos) finais felizes.

Ana Carina Branquinho
(Terapeuta da Fala; C-021323186)

Comunicação – Sinais de alerta

Todo o desenvolvimento de uma criança está intimamente interligado com a comunicação. As potencialidades ou défices podem ser sinalizados antes do primeiro ano de idade. Partilhamos os sinais de alerta:


Idades

Sinais de alerta

0 aos 2 meses

– Não reage aos sons e ao meio ambiente- É demasiado irritável ou muito sonolento

2 aos 4 meses
– Não sorri- Não reconhece vozes familiares- Chora ou grita sempre que lhe tocam

4 aos 6 meses
– Não revela interesse pelas pessoas e objetos- Não localiza ou deteta um som- Não vocaliza ou deixa de emitir sons

6 aos 8 meses
– Não faz ou não mantém contacto visual- Não balbucia ou vocaliza- Não há reciprocidade na troca de papéis (troca de turno)

8 aos 12 meses
– Apenas compreende o que lhe dizem quando também se usa gestos- Não entende o “adeus” para ir embora- Não responde ao próprio nome- Não olha para a mãe/pai, em resposta a um pedido- Não imita ações e sons familiares- Vocaliza pouco e não faz um pedido de forma clara- Não balbucia ou não usa consoantes- Não usa gestos para comunicar
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