
Se depois de uma noite mal dormida der consigo a consumir algo excessivamente calórico isso é, tão só, um efeito da insónia. A privação do sono também tem uma relação direta com o aumento de peso e, decididamente, dormir mal engorda
Basta uma noite mal dormida para – em reação – aumentar o apetite e, preferencialmente, escolher alimentos mais calóricos. A insónia não é um sintoma normal, nem deve ser encarado como tal. Esta é a mais frequente perturbação do sono e acredita-se que atinge 30 a 40% dos adultos e, cerca de 10% da população geral apresenta sintomatologia que preenche critérios de insónia crónica.
As pessoas sabem que dormem mal, que acordam muitas vezes de noite e que não descansaram e, raramente, assumem que têm privação de sono. Na verdade, a insónia é um fator de risco para desenvolver variados distúrbios psiquiátricos, como depressão, ansiedade, abuso de substâncias, mas também múltiplas patologias médicas, como a diabetes, hipertensão e doença cardiovascular. A Organização Mundial de Saúde admite mesmo que a repetição de noites mal dormidas é um hábito que tem potencial para desencadear um enfarte ou um AVC, tal como o hábito de fumar.
A relação entre insónia e o aumento de peso deixou de ser um mito. É uma verdade, pelo impacto que uma má noite de sono tem no apetite e também no consumo diário de energia. Está provado que dormir menos de 6 a 7 horas por noite também provoca alterações na produção das hormonas que regulam o nosso apetite, aumentando os níveis de grelina, a “hormona da fome”, que induz a vontade de comer.
Sucessivas investigações têm vindo a demonstrar que quem dorme mal tem tendência para, nas horas seguintes, comer mais doces e mais gordura, em prol da diminuição do consumo de proteínas. Quando a insónia se torna um hábito, as más escolhas alimentares tornam-se usuais e o excesso de peso acaba por se instalar como uma característica.
A desregulação do sono também vai provocar informações erradas no cérebro e o organismo não percebe que já está saciado, acabando por solicitar a ingestão de mais alimentos. Isto já sem falar na fome noturna. Neste caso, a relação é óbvia. Se estamos muitas horas acordados, o corpo não entra em modo descanso e sobra muito tempo para continuar a comer.
O “peixinho de rabo na boca” continua e as implicações vão ainda mais longe e afetam as escolhas que fazemos diariamente. Acrescente-se ainda que como não dormimos o suficiente estaremos sempre mais cansados (e com mais peso), logo, somos atraídos para o sedentarismo muito facilmente, optando pelo sofá em vez de sair à rua para fazer exercício físico. E tudo isto acontece porque não dormiu bem.
Mas note, nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Se dormir pouco engorda, o contrário, dormir muito, não emagrece. O ideal é mesmo dormir bem.
(Médica, Psiquiatra com competência em Medicina do Sono)
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Artigo interessante e informativo, mas na minha humilde opinião a insónia não afecta só o aumento de peso mas também o desempenho no nosso dia a dia. Obrigada
ReplyArtigo muito bom!
ReplyDe facto, esse deve ser um dos muitos fatores que tem contribuído para o meu aumento de peso e que, infelizmente, não consigo controlar e reduzir. Já comecei a fazer medicação para dormir e realmente noto menos vontade de atacar os armários ou o frigorifico à procura de "porcarias" para comer. Faço exercício físico todos os dias mas, perder peso que é bom, nem 1 grama.
É triste….
Depois de ler o vosso artigo, que achei muito esclarecedor, confirmo que as noites de insónia produziram em mim muitos dos sintomas nele descritos. A vontade de saciar a fome com chocolates ou aperitivos, mas mais grave e apos varias noites sem dormir, foram as dores de cabeça intensas que provocaram um pico na tensão arterial, e um pequeno derrame na vista direita, que não é apenas externo, mas que originou pequenos coágulos internos. Procurei a ajuda de um médico oftalmologista, que acha que este poderá ter sido um sinal de alerta e estou em tratamento…..Obrigado!
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