Os famosos têm este efeito de influenciarem a opinião pública. Angelina Jolie sabia disso quando revelou esta semana a dupla mastectomia a que foi submetida. A campanha da luta contra o cancro da mama ganhou uma nova cara.

A ciência já esclareceu que existem no mínimo dois genes envolvidos na origem de alguns cancros da mama (5 a 10 %) e, nos casos de mutações destes genes, a incidência destes tumores pode ser da ordem dos 85 a 90 por cento, a maioria das vezes em idades jovens. Este é um conhecimento que traz situações complexas do ponto de vista médico, cirúrgico e psicológico, além de implicações graves psicossociais, familiares, sexuais e, até, profissionais. Legalmente, este teste genético só é permitido a partir dos 18 anos de idade, porque é essa mesma jovem que terá de decidir o que quer fazer no futuro, caso o teste seja positivo.

Anteriormente, a jovem realizava o teste genético e, em caso positivo, ficava com o peso psicológico dessa certeza insuportável. Hoje, podemos recorrer à chamada prevenção primária, com a ajuda da cirurgia plástica. Na presença de um caso positivo é adequado propor aquilo a que se chama de mastectomia de redução do risco, ou seja, mastectomia sub-cutânea bilateral com conservação da pele e complexo aréolo-mamilar, seguida no mesmo tempo operatório (por vezes em diferido), de colocação de próteses. Há a enorme vantagem de estas jovens passarem a ter melhor qualidade de vida com resultados estéticos satisfatórios e, mesmo, perfeitos. Pode parecer bárbaro oferecer isto a uma jovem, mas não devemos esquecer que atualmente a cirurgia estética mamária é opção corrente nestas idades por razões exclusivamente estéticas.

Em Portugal, há cerca de uma década que a solução escolhida por Angelina Jolie é a mesma que os especialistas em tumores hereditários propõem para casos de alto risco. A Genética veio trazer certezas próximas da realidade e a Cirurgia Plástica revelou-se um aliado especial.

É à mulher que cabe decidir. Angelina Jolie tomou esta opção individual com 37 anos de idade. A mãe morreu de cancro em 2007.
Margarida Figueiredo Dias
Ginecologista/Obstetra
Professora na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra

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