De pouco ou nada serve se não for bem usada e não raras vezes, encontramos um nariz a espreitar por cima da máscara. O seu uso pode reduzir as hipóteses de alguém infetado contagiar outro, por disseminação de vírus, seja o SARS-CoV2, seja o vírus da gripe que tem chegada anunciada


Só por si a máscara não me protege e esta é a regra de ouro. Sempre que uso uma máscara, estou a proteger o outro. Era assim no tempo antes da “nova era COVID-19” e continua a ser assim neste tempo. Um cirurgião quando entrava num bloco operatório de máscara cirúrgica, estava a proteger o doente que ia ser intervencionado, não se estava a proteger a ele, enquanto profissional. Esta ideia é válida para as máscaras que todos nós usamos, seja a cirúrgica, seja as agora chamadas comunitárias e de uso social. Se todos usarem máscara eu protejo os outros e os outros protegem-me a mim.


Claro que existem outros tipos de máscaras, mas essas destinam-se a uso exclusivo de profissionais de saúde, por exemplo, as máscaras FFP2 ou N95 (que filtram quase 94% dos aerossóis). Este tipo de máscara reserva-se para os casos em que a distância segura não pode ser respeitada e, normalmente, é acompanhada por outro equipamento de proteção individual, o chamado EPI.

Mas se vou usar uma máscara, seja porque é obrigatório, seja porque, enquanto cidadão, sou uma pessoa responsável, devo usar este equipamento com segurança. E sim, pouco adianta usá-la se deixar o nariz de fora, se deixar foles para entrada de ar (o que pode acontece quando cruzo os elásticos) ou se a coloco no queixo…


Primeiro que tudo, devo pensar que se vou colocar uma máscara na minha cara tenho de desinfetar as minhas próprias mãos, só assim asseguro que a minha ideia de proteção tem um percurso eficaz e que diminuo o risco de contaminação (por contacto com os meus olhos, nariz ou boca).


Depois, se uso máscara, é porque acredito que este equipamento filtra partículas, que ficam retidas no tecido exterior. Percebe-se assim porque não devo tocar no exterior da máscara e se necessitar de ajeitar, ou seja, recolocar no sítio, puxar para cima ou para baixo, devo desinfetar bem as mãos e introduzir dois dedos no interior da máscara.

Claro que se mexi na máscara devo desinfetar as minhas mãos logo de seguida, sob pena de poder contaminar superfícies onde irei tocar. Devemos lembrar que há infeções sem sintomas e, por muito bem que estejamos, há uma possibilidade de estarmos assintomáticos. Isto é, não temos sintomas, mas transportamos o vírus, logo, podemos contaminar outros.

A máscara nunca deve ser retirada só porque me apetece espirrar, tossir ou falar. O uso é recomendado para isso mesmo, para que as gotículas de cada um não circulem em excesso em espaços fechados. Ao fim de 4 horas, a máscara estará necessariamente conspurcada e será necessário retirá-la, seja porque já não estou num ambiente fechado, seja porque já está muito húmida pelo uso. E retirar a máscara é tão ou mais importante do que como a colocar. Isto é, a parte exterior não deve ser tocada. A máscara deve ser retirada pelos elásticos e colocada imediatamente no lixo. Não deve guardar no bolso, na carteira ou no carro…

Ana Bernardino
(Médica Anestesiologista)

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