Porque é que ficamos com bolhas depois da picada de mosquito?

Sabia que no momento em que sofremos a picada de um mosquito estamos perante um ato de sobrevivência? Sim, é verdade. Quando um mosquito pousa na nossa pele e pica, está a zelar pela continuidade da sua espécie. Pensando nesta perspetiva até parece tratar-se de um ato benevolente, não fosse a picada desencadear uma reação local. A responsabilidade é da fêmea. Sim, é a fêmea que precisa desse sangue para garantir o desenvolvimento dos seus ovos e assim dar continuidade à sua espécie.

 

O que é que realmente acontece?

No momento da picada o mosquito liberta saliva, com propriedades anticoagulantes, para que o sangue não coagule enquanto é sugado. Este processo é realizado com a ponta da sua probóscide (uma espécie de apêndice alongado e que está localizado na zona da cabeça), que funciona duplamente, um tipo de seringa com dois sentidos. Assim enquanto um tubo injeta saliva anticoagulante, o outro suga o sangue.

O contacto com a saliva do mosquito desencadeia um alerta às células em redor, para que estas libertem histamina, aumentando a circulação nessa zona. O resultado visível são pequenas bolhas de pele inchada e vermelha. A necessidade de coçar a zona afetada estimula a circulação e aumenta a ação de defesa do nosso sistema imunitário. Trata-se por isso de uma reação imunológica no nosso organismo, que reconhecemos pelo intenso prurido.

Nas diversas espécies de mosquitos a alimentação é feita essencialmente à base de néctar de plantas. Mas na necessidade de pele humana, ela atrai-se pelos odores, com preferências por corpos quentes e suados. Há uma evidente predileção por pessoas obesas, do sexo masculino, grávidas e pessoas com o grupo sanguíneo O.

 

Como evitar?

Aconselha-se o uso de repelente, roupas frescas / claras e redes de mosquiteiros (nas zonas onde se justifica) e os ambientes devem ser mantidos com temperatura amena sem grandes variações térmicas.

Deve ser evitada a permanência em zonas de águas paradas, evitar atividades que acelerem o metabolismo basal (exercício físico, refeições copiosas) nas horas antes de dormir, preferir banhos com água tépida ou fria.

Um outro aspeto a ter em consideração é a nossa proteção em alguns momentos do dia, em que os mosquitos estão mais ativos, nomeadamente ao amanhecer e ao entardecer.

 

Como tratar?

Como em qualquer fenómeno alérgico local deve-se evitar coçar, pois aumenta o processo inflamatório e assim o incómodo prolongado ou mesmo complicações, como por exemplo sobreinfeção. No entanto, na maioria das vezes, os sintomas são locais e de curta duração.

Deve-se recorrer à aplicação de gelo local por curtos períodos (10 minutos), pois este funciona como excelente anti-inflamatório. A aplicação tópica de preparados com anti-histamínico é de utilidade duvidosa. Assim, a utilização de um emoliente neutro pode ter efeito calmante (ao guardar no frigorífico potencia o efeito benéfico). Em caso de inflamação exuberante ou mais extensa, e sempre sob orientação médica, pode estar indicada a aplicação de corticoide tópico ou toma de anti-histamínico oral.

Em raros casos a picada de mosquito pode desencadear um processo alérgico generalizado, que indica avaliação médica imediata.

Deixar um Comentário