Não basta ter um porte atlético, ser inteligente, nascer na família certa e frequentar a escola ideal. O sucesso depende de vários fatores, mas o determinante acaba por ser o “capital psicológico” de cada um de nós. Há 9 caraterísticas psicológicas que, a par da inteligência, são determinantes para o sucesso

O sucesso é a capacidade de o indivíduo atingir os seus objetivos e de alcançar a realização pessoal, que inclui o reconhecimento e a admiração pelos outros. Para a maioria das pessoas, ter sucesso na vida implica conseguir determinadas conquistas, como ter um emprego, uma carreira, uma remuneração que permita viver confortavelmente, constituir uma família e ter amigos.

Ter sucesso na vida é, genericamente, associado a ter sucesso profissional, significando para muitos o receber uma grande quantidade de dinheiro. Contudo, ter sucesso significa muitas vezes obter reconhecimento, seja ele o destaque na política, na ciência ou no desporto, pelo que não implica necessariamente uma recompensa financeira, mas sim o reconhecimento público. Também, os que se destacam por atos de bravura ou de caridade são considerados como tendo sucesso. Outros, consideram que têm sucesso por educar bem os filhos e os netos.

O sucesso depende de vários fatores socioeconómicos: os pais, a família, a escola, a educação, o país onde se nasceu…; e principalmente de fatores individuais. Por várias razões, muitos pensam ser o aspeto físico a condicionar o sucesso. E se é verdade que uma imagem atraente, como ser-se alto e atlético, é vantajoso, nenhuma destas características é sinónimo de sucesso.

A inteligência é a capacidade de raciocínio, planeamento e de resolução de problemas, e pessoas mais inteligentes têm mais facilidade em alcançar o sucesso. Porém, tal como refere Darwin, não é o mais forte nem o mais inteligente que sobrevive, mas sim o que melhor se adapta à mudança. Inevitavelmente, um nível elevado de inteligência ajuda, mas para se alcançar o sucesso há determinantes psicológicos considerados como essenciais, e que não são medidos pelos testes de inteligência.

1. Autodisciplina

2. Coragem

3. Autocontrolo

4. Gratificação diferida

5. Curiosidade

6. Autoeficácia

7. Otimismo

8. Inteligência emocional

9. Conscienciosidade

autodisciplina é a capacidade de o próprio se gerir a si e às suas emoções, para conseguir completar uma tarefa, mesmo que existam aspetos desagradáveis, não recompensadores ou monótonos, durante a sua execução. A maioria das pessoas faz planos para ir ao ginásio, mas poucos conseguem completar a tarefa a que se propuseram. Também isto se aplica a nível laboral, determinando quem completa um trabalho no tempo estipulado e com qualidade.

coragem é a capacidade de agir para atingir um objetivo, suportar a derrota, aprender com ela e voltar a tentar, até porque, na maioria das vezes, o sucesso não é alcançado na primeira tentativa. Para além disso, o sucesso resulta de uma escolha entre fazer a “coisa certa” ou a “conveniente”, e é a coragem que permite escolher o difícil e continuar a enfrentar o desafio. Para se ter sucesso corre-se o risco de fracassar. Pessoas corajosas mostram ter a tenacidade para enfrentar o fracasso e a flexibilidade cognitiva necessária para procurar persistentemente por soluções alternativas para o problema.

autocontrolo é a característica que permite regular as emoções, os pensamentos e os comportamentos, resistindo aos impulsos. Permite seguir os princípios de vida traçados, sem se ser seduzido por distrações. Pessoas com baixo autocontrolo tendem a ser impulsivas e mostram pouca sensibilidade para com os outros.

gratificação diferida é a capacidade de resistir à tentação de uma recompensa imediata, e preferir a recompensa a longo prazo. Habitualmente são pessoas que preferem relações duradoras, em vez de esporádicas, optam por projetos a longo prazo e não cedem a ganhos imediatos.

curiosidade é o desejo de adquirir conhecimento e, por isso, permite a aprendizagem contínua ao longo da vida. Aprender algo novo pode ser exaustivo e desanimador, mas pessoas que se mantém curiosas, dirigem a sua aprendizagem para algo divertido, emocionante e recompensador, sendo o segredo para uma vida de sucesso.

autoeficácia é a crença que o próprio tem nas suas capacidades inatas para atingir um objetivo, ou seja, é o julgamento pessoal que faz de como vai executar uma ação. A expectativa de autoeficácia determina se o indivíduo vai ser capaz de enfrentar o desafio, por quanto tempo e se vai manter o esforço até ao fim. Pessoas com baixa autoeficácia tendem a cessar o esforço precocemente e a falhar.

No otimismo, o fracasso é visto como uma oportunidade, como se fosse o “ainda não tive sucesso”. Permite analisar o que correu mal, recalibrar a próxima tentativa, e tentar outra vez. O otimista vê o fracasso como temporário, limitado ao caso especifico e com impacto reduzido. Por oposição, o pessimista gera um ciclo vicioso, de reação contra o fracasso, em que o evento negativo é visto como permanente, pessoal e generalizado. Contudo, ser otimista por si só não é garantia de sucesso. A esperança, o entusiasmo e a autoconfiança são importantes, mas ter uma visão positiva sem ação, não leva ao sucesso.

inteligência emocional é a capacidade de compreender as emoções do próprio e dos outros, e de controlar as emoções do próprio de forma adequada. Nas interações sociais perceber o que o outro está a sentir, ter humildade para pedir ajuda, e ser generoso ajudando o outro, são competências essências para se ter sucesso.

conscienciosidade é um traço de personalidade que implica que a pessoa tenha o desejo de executar as tarefas com rigor e cuidado, levando a sério as obrigações para com os outros, sendo habitualmente designada de perfeccionismo. Os perfeccionistas são pessoas vigilantes, eficientes e organizadas. Têm, em regra, melhor desempenho académico, melhor saúde, mantém relações duradouras, e envolvem-se menos em criminalidade.

Genericamente, a sociedade preocupa-se em demasia com a inteligência. Contudo, a aposta certa deveria ser no desenvolvimento de características psicológicas do indivíduo que, a par da inteligência, se afiguram como determinantes para o sucesso. Como refere Barbara Fredrickson, psicóloga americana, o equilíbrio família-trabalho é essencial para o sucesso; e se o sobre-envolvimento no trabalho leva a stress e a doença, também o sobre-envolvimento familiar é desnecessário, levando à constante atenção e estimulação intelectual dada às crianças que lhes pode provocar sofrimento.

Para atingir o sucesso pessoal e profissional, o foco deve estar em potenciar os nossos recursos psicológicos positivos, denominados de “capital psicológico”, e encontrar o equilíbrio entre a família e o trabalho.

Sofia Morais(Médica, Psiquiatra)

Leave a reply