Há uma falha nas ligações nervosas entre os olhos e o cérebro. Os olhos desalinhados acabam por enviar duas imagens diferentes para o cérebro. Uma delas será eliminada e o olho que a captou torna-se preguiçoso, perde funções e avança para a ambliopia. A cegueira instala-se e a visão deixa de ser binocular. Esta é a história interna do estrabismo. No exterior, só conseguimos visualizar o olho estrábico

Concebidos para captar imagens, os olhos não têm a capacidade de “ver”, descodificar ou interpretar imagens. Essa é uma tarefa para o cérebro. Se os dois olhos estiverem alinhados, o cérebro transforma as duas imagens numa única e é este processo que cria aquilo que se chama de visão binocular (com os dois olhos).

Qualquer movimento ocular é controlado por seis músculos, que devem funcionar em harmonia. Quando estes músculos não estão alinhados os olhos seguem o mesmo rumo, desalinham e fica aberto o caminho para o estrabismo. A situação pode ser congénita, mas acaba por se evidenciar nos primeiros meses de vida. Neste caso, as estruturas que são necessárias para que o cérebro possa “ler” as duas imagens e fazer a sobreposição, são insuficientes, não se desenvolveram, e esta criança terá sempre uma visão monocular.

Nem sempre se nasce potencialmente estrábico. A situação pode surgir depois do primeiro ano de vida, na adolescência ou mesmo em idade adulta. É nestes casos que a atenção deve ser redobrada. Não só porque a visão binocular já existe e não deve ficar comprometida, mas também porque o estrabismo pode ser um sinal exterior de um outro tipo de patologia (cataratas, tumor cerebral, hidrocefalia…).

O médico oftalmologista terá de procurar a causa do estrabismo para apresentar uma solução, que pode ser apenas um tratamento de correção ou pode incluir uma ou mais cirurgias. Se o estrabismo surgir numa criança, ainda em processo de desenvolvimento, o cérebro acaba por aprender a ignorar a imagem enviada pelo olho desalinhado. Opta apenas por “ler uma imagem”, sem recorrer à sobreposição das duas imagens e sem perceber a dimensão e relevo. O olho desalinhado torna-se “preguiçoso”, deixa de captar imagens e caminha para a ambliopia, uma forma de cegueira. Se o problema for detetado na idade escolar já é tarde demais para uma qualquer recuperação deste “olho preguiçoso”.

 

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