
Entramos na dimensão micra (a milésima parte de um milímetro) e pouco ou nada escapa aos equipamentos de diagnóstico criados e hoje disponíveis para o apoio à especialidade de Oftalmologia. O varrimento do fundo do olho por vários raios de luz fornece todos os detalhes e pormenores. As imagens captadas confirmam diagnósticos e guardam-se para mais tarde recordar, investigar, avaliar…
É sempre com luz que se espreita e capta o interior do olho, seja a luz na forma de raio, seja por partículas de luz concentradas e emitidas em feixe, em forma de laser. O olho é permeável a essa radiação e a ciência e a técnica têm explorado essa capacidade, criando, renovando e inovando nos equipamentos que ajudam a procurar o detalhe ou a particularidade que irá confirmar o diagnóstico clínico.
Hoje, com o equipamento certo, é possível avaliar as fibras nervosas do pólo posterior (um dado importante para a patologia do glaucoma), mas também medir e avaliar todas as estruturas físicas, como o comprimento do olho e a curvatura da córnea. O resultado obtido é cada vez mais real, pela grande capacidade de resolução das imagens e pelo facto de se obterem fotografias com uma grande amplitude, como no caso da retina.
Com um “tamanho” idêntico ao de um selo de correio, a retina reveste o interior do olho humano e é esta membrana que converte as imagens em impulsos nervosos que seguem para o cérebro, através do nervo ótico, facultando-nos a capacidade de “ver”. Os retinógrafos de última geração permitem alcançar um ângulo de imagem que pode ir até aos 200 graus, por oposição aos tradicionais retinógrafos que têm um alcance de 50 graus, mas que continuam a ter um trabalho válido, quando se pretende captar imagens da zona central da retina.
Sem necessidade de entrar dentro do olho, são estes equipamentos e a destreza de quem os manobra, que tornam possível o alcance de imagens inacessíveis até há poucos anos. Hoje, toda e qualquer estrutura do olho está acessível à recolha de informação, seja o vítreo, que mais não é do que uma substância gelatinosa e transparente, localizada atrás do cristalino, que faz de amortecedor aos movimentos oculares, seja a mácula, uma região da retina que tem a incumbência específica de captar a visão fina da forma e cor, seja o nervo ótico, uma espécie de fio elétrico que transmite ao cérebro os impulsos nervosos que foram captados pela retina. Tudo estruturas que se tornam acessíveis quando se recorre a um raio de luz. O volume de informação recolhido pelos equipamentos é cada vez maior e fica disponível para comparação e análise, permitindo estudar a evolução da patologia de cada utente, mas também a investigação e pesquisa de cada doença.
Todos os casos ficam devidamente documentados e disponíveis numa base de dados. As lesões que possam existir são detectadas ao milésimo de milímetro e o fundo do olho torna-se acessível e disponível em formato de fotografia com grande resolução. O doente só tem de abrir o olho e deixar-se “fotografar”.
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Exmos. Senhores,
ReplyEntrei na vossa página para tentar tirar dúvidas a uma amiga que foi operada a catarata, fiquei agradavelmente surpreendida com as vossas respostas muito correctas e esclarecedoras. Então resolvi pôr-vos uma questão relativamente a mim. Quando tinha cerca de 45 anos (agora tenho 60 anos) tive necessidade de começar a usar óculos para ler e escrever (ver ao perto) na altura fui vista por um oftalmologista aqui em Lisboa que me fez diversos exames e que me alertou que lá para os 80/85 anos iria ter problemas de glaucoma, para não ficar em pânico mas para ter este assunto em mente quando um dia (mais tarde) fosse ao médico oftalmologista, a minha dúvida é a seguinte devo começar a preocupar-me ou melhor ainda o que V. Exas. me aconselham deva fazer sendo que não tenho qualquer tipo de sintomatologia. Nota: na altura o médico era particular, dada a aminha alteração de vida económica vou ter que recorrer ao SNS , no entanto e dado tratar-se de uma das zonas que mais me apavoram não ponho de parte ir ao serviço particular. Agradeço encarecidamente a orientação de V. Exas. Com os melhores cumprimentos Júlia Albuquerque Vieira
Não é possível fazer previsões a essa distância sobre a doença de glaucoma. Se quiser perceber um pouco mais sobre o glaucoma sugiro que leia este artigo: https://www.ccci.pt/glaucoma-olhos-sob-tensao/
ReplyEspero ter ajudado