Um erro na dose diária, no horário da toma, na sobreposição da medicação ou o simples esquecimento são situações que podem influenciar os efeitos do tratamento prescrito. A não adesão à terapêutica acaba por ter um impacto negativo, principalmente em pessoas idosas e, depois dos 65 anos, existe um grupo etário que está a consumir cada vez mais medicamentos. Como gerir toda a medicação? Vamos ajudar

Cerca de 25% do total de venda de medicamentos, prescritos e não prescritos, são consumidos pelo grupo etário a partir dos 65 anos e prevê-se, que em 2030, chegue aos 40%.

Nem sempre a prescrição, compra e toma de medicação cumprem este ritmo de princípio, meio e fim. A adesão ao regime terapêutico é considerada um foco de atenção dos enfermeiros e dos demais profissionais de saúde, continuando a ser um dos problemas da atualidade pelo impacto negativo que tem ao nível das pessoas idosas.

O conceito de adesão pode ser definido como a disposição de uma pessoa para usar um medicamento, seguir uma dieta ou executar uma mudança no estilo de vida, em conformidade com recomendações feitas por profissionais de saúde. A decisão de aderir à terapêutica pertence ao doente, mas os profissionais de saúde têm a obrigação de criar estratégias de capacitação individualizadas para facilitar isso mesmo.

Um doente capaz de identificar e enumerar o nome dos medicamentos, conhecer a sua aparência, a ação terapêutica, os efeitos secundários, as indicações terapêuticas, o correto armazenamento e a sua administração é capaz de gerir de forma eficaz o regime medicamentoso a que está sujeito. Nem sempre é assim e a toma de diversos medicamentos traz dificuldades de gestão, conduzindo a uma prescrição nem sempre eficaz.

Para os profissionais de saúde o importante é conhecer o medicamento pela sua substância ativa, mas muitas vezes os doentes apenas o reconhecem pelo seu nome comercial. A comercialização de medicamentos genéricos, que apresenta o nome da substância ativa, veio aumentar a dificuldade na gestão do regime medicamentoso na população idosa que, quando vai à farmácia, é frequentemente confrontada com diferenças no medicamento, quer no aspeto físico, forma do comprimido, cor da embalagem, etc., o que pode levar a uma toma errada, seja por defeito, seja por sobredosagem.

A toma errada de medicamentos, como erros na dosagem, o horário ou esquecimento podem influenciar o resultado do tratamento. No caso de se esquecer de tomar o medicamento deve consultar o folheto informativo que o acompanha e seguir as indicações. Geralmente, o aconselhado é tomar na vez seguinte, em horário correto, de forma a não alterar as horas ou a sobrepor medicamentos.

Para facilitar a gestão da toma de medicamentos apresentamos algumas dicas que ajudam a evitar o erro. Uma das orientações mais importante é o conhecimento, ou seja, saber porque toma determinado medicamento. O conhecimento do seu estado de saúde é o fator mais importante para a consciencialização da toma correta. Mesmo assim algumas pessoas, ou por fatores do seu dia-a-dia ou até mesmo por doença, não conseguem seguir as orientações médicas corretamente.

Utilizar uma caixa organizadora de medicamentos, daquelas semanais com diversos compartimentos para guardar os comprimidos a diversas horas do dia, é facilitadora da gestão e, atualmente, existem caixas com tecnologia inteligente, para lembrar o doente da toma, com flashes de luz ou emissão de sons lembretes. Se não tiver uma caixa dessas mais modernas pode sempre programar, ou pedir ajuda para programar o seu telemóvel para lembrar a toma de medicação às horas corretas. Existem diversas aplicações que permitem introduzir a sua lista completa de medicamentos (que deve trazer consigo), ou simplesmente criar um alarme como um despertador.

Se tiver dificuldade em utilizar o telemóvel pode criar um horário em papel, ou fazer post-its com as medicações diárias. Embora não seja tão eficaz, copie e espalhe por sítios estratégicos da casa, como o espelho da casa de banho, porta do frigorífico, junto à máquina do café, no escritório, enfim, nos sítios que utiliza mais. Certifique-se que tem sempre consigo a lista atualizada de todos as medicações que utiliza, incluindo os “produtos naturais”, bem como a dosagem e os horários.

Pode ainda optar por deixar os medicamentos em sítios estratégicos, como junto à escova de dentes, ao pé do telemóvel, junto à máquina de café, para fazerem mesmo parte da sua rotina diária. Ter os medicamentos em vários locais, como por exemplo no trabalho, e em local bem visível é também uma estratégia eficaz. Contudo, deve ter especial cuidado se morar com crianças, uma vez que toda e qualquer medicação deve ficar longe delas, devendo ser guardada em local inacessível.

Outra preocupação é a forma de acondicionamento dos medicamentos, apesar de a maioria ser estável à temperatura ambiente, alguns necessitam de ser acondicionados de forma específica, como o frigorífico. E, mesmo os que podem ficar à temperatura ambiente, não devem ser submetidos a locais sujeitos a grande aquecimento e condições de humidade, para que não alterem o seu estado.

Finalmente, também pode pedir ajuda a um familiar ou amigo para ajudar a recordar o horário, enquanto para a organização da medicação pode sempre aconselhar-se junto do seu farmacêutico, enfermeiro ou médico assistente. Questione sempre que introduzir novas medicações, porque simplificar o seu regime terapêutico é a primeira forma de melhorar a sua adesão.

Catarina Ferreira
(Enfermeira)

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