O facto de a concussão cerebral ser frequente justifica uma consciencialização dos riscos, medidas e regras a seguir. Mas, em Portugal, continua a existir um silêncio absoluto sobre as lesões ocorridas no desporto federado adulto e no desporto escolar. Uma concussão cerebral é sempre uma lesão que pode ou não ter impacto sobre o crânio e pode ou não ditar o fim de um “jogo”.

Podemos definir a concussão cerebral como uma alteração brusca e transitória da função cerebral, provocada por um traumatismo com repercussão direta ou indireta sobre o crânio. Um choque violento portanto. Esta é uma patologia que se distribui indistintamente por todos os grupos etários, mas tem um carácter gravoso nos mais jovens, devido à imaturidade do cérebro na juventude e adolescência.

O mecanismo de lesão pode ser por impacto sobre o crânio, a face, o pescoço ou parte do corpo, repercutindo-se a força sobre o crânio e as estruturas nele contidas. Uma cotovelada ou murro na face, uma cabeçada, a agressão de qualquer objeto sobre a cabeça, queda no chão, etc… Mas também pode acontecer por um mecanismo de aceleração ou desaceleração do crânio sem ocorrer impacto.

Uma coisa é certa, o mecanismo da lesão cerebral que provoca a concussão é exatamente igual ao que provoca a lesão axonal difusa (bastante mais grave) e as várias hemorragias intracranianas, com ou sem hematomas. Tomemos, como exemplo, um jovem de 7 anos que, numa inocente partida de bola, sofre um empurrão violento e cai desamparado no chão. Acontecimento comum no recreio escolar. Ao levantar pode sentir-se um pouco tonto, ligeira dor de cabeça, zumbidos, alguma perturbação do equilíbrio, enjoo e não se recorda como a queda aconteceu.

Para não dar parte de fraco, continua a jogar ou prefere ficar de fora para recuperar um pouco mais. Os colegas não dão importância ao incidente e o jovem não menciona, habitualmente, as queixas aos professores ou aos pais. Mas, no dia seguinte, a dor de cabeça mantém-se, a atenção escolar é mais dispersa, tem mais irritabilidade, menos concentração, a visão por vezes desfocada e o desempenho escolar pode tornar-se menos constante. Ao final de uma semana vai retomando progressivamente a atividade normal, escolar e desportiva, que nunca interrompeu por completo… ou não. E, o “não”, neste caso, é sempre uma situação mais séria.

Se advogarmos mais desporto para melhor saúde, será bom tomar consciência dos riscos de pequenos acidentes e implementar um cordão sanitário que minimize os riscos e informe os pais, escolas e alunos deste pequeno flagelo silencioso. Esta deve ser a regra de qualquer país civilizado que se importa com a saúde dos seus jovens.

 

Para ler este artigo na íntegra consulte a Revista Olhares

Leave a reply