O que é natural nem sempre é bom ou seguro. Perdemos a perceção desse risco e deixamos-nos aliciar pelo consumo de produtos naturais. Se a esse consumo somarmos o de medicamentos, ficam criadas as condições ideais para uma história que compromete tratamentos e que pode terminar em risco de vida. O Observatório de Interação Plantas e Medicamentos avalia estes riscos e níveis de toxicidade. Há um novo alerta para estes casamentos fatais.

O Observatório de Interações Planta-Medicamento (OIPM) tem desenvolvido trabalho que abrange investigação no âmbito da avaliação de risco de produtos naturais e das suas interações com medicamentos. Informar a população sobre os riscos e alertar para situações de perigo é o objetivo deste Observatório. O OIPM avalia estes riscos desenvolvendo trabalho de investigação científica e acompanhamento clínico em várias Unidades de Saúde.

Terapia do cancro comprometida

Os casos mais flagrantes e também os mais graves estão relacionados com os doentes oncológicos, quando associam uma grande panóplia de “produtos naturais” que, além de não tratar o processo tumoral, comprometem os tratamentos e, em alguns casos, ameaçam a vida do doente.

É preciso reter que as plantas que são vendidas neste mercado paralelo e que visam a “cura” do cancro também contêm substâncias químicas tão ou mais tóxicas do que as que são usadas no tratamento de quimioterapia. Consumidas em simultâneo, acabam por criar um cocktail que pode provocar danos graves na saúde do doente.

Bagas para que vos quero…

É conhecido o consumo generalizado de Mangostão, Noni, Bagas de Goji, frutos vermelhos e silvestres, entre outros. Sobre o chá feito a partir de Bagas de Goji, o OIPM já tem casos reportados com interação medicamentosa (varfarina), que acabaram por resultar em sobredose de medicamento e um elevadíssimo risco de hemorragia.

Emagrecer com danos?

O milagre do emagrecimento rápido não existe e os preparados para emagrecer podem provocar mais danos do que benefícios. A saúde pode ficar comprometida, nomeadamente o sistema nervoso e o coração. O excesso de peso e a obesidade não andam sozinhas. Na maioria dos casos, associam-se a diabetes, hipertensão, etc. Estes doentes acabam por tomar três ou mais medicamentos diferentes por dia.

Quando se misturam diferentes tipos de medicamentos com fibras, estimulantes, diuréticos e/ou “desintoxicantes”, sujeitam-se a alterações na medicação. No caso dos chamados tónicos cardíacos (digoxina), a situação pode ganhar contornos graves. O médico apercebe-se que a dose de medicamento que recomendou não está a fazer o efeito pretendido e, para combater essa aparente ineficácia, prescreve um aumento de dose. Contudo, a responsabilidade da ineficácia do medicamento pode estar nas fibras que o doente tem ingerido.

Não misture sem saber! Recomendamos que consulte sempre o seu médico ou farmacêutico.

Maria da Graça Campos
(Professora na Faculdade de Farmácia da UC)

 

Se quiser ler o artigo na íntegra consulte a Revista Olhares

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