Uma em cada três pessoas tem a tensão arterial alta, mas muitas nem sabem que isso acontece, porque a hipertensão não se sente… mas o coração ressente-se, cansa-se.

Medir ou avaliar é a única forma de saber o estado da sua pressão do sangue

Disseram-lhe que é hipertenso e não sabe o que isso significa? Pois bem esta condição médica revela que a pressão que o sangue faz na parede das artérias por onde circula está em pressão ou tensão a mais. A hipertensão acaba por cansar o coração, abrindo caminho para a insuficiência cardíaca e para a esclerose das artérias que, com o passar dos anos, atraem outras complicações que podem ser evitadas.

As estatísticas dizem-nos que um em cada três portugueses tem a pressão arterial alta. Algumas fontes já alertam que um em cada dez jovens com menos de 20 anos de idade tem hipertensão arterial. Os estilos de vida e a alimentação inverteram o cenário e é com estes mesmos instrumentos que cada um de nós pode mudar estas estatísticas.

A hipertensão arterial não se sente e, por isso mesmo, pode e deve ser medida. E sim, este é o sinal vital mais vezes avaliado numa consulta médica de Medicina Geral e Familiar. O ato de medição da pressão arterial deve ser realizado sob condições fundamentais para a correta avaliação da pessoa, que deve estar calma e num ambiente tranquilo. Muitas vezes os valores determinados numa consulta devem ser confirmados por medição em ambulatório, quer através da auto-medição da pressão arterial, com respetivo ensino à pessoa, quer através do MAPA, com utilização de dispositivo médico para esse efeito.

Para uma adequada valoração de um registo fácil de obter é importante que as pessoas estejam esclarecidas sobre alguns pontos, até porque, a rápida avaliação da pressão arterial em ambientes não apropriados pode desencadear dúvidas e ansiedade desnecessárias. O simples facto de estarmos nervosos, de termos realizado exercício físico, de mastigarmos uma pastilha naquele momento ou de cruzarmos as pernas podem determinar valores mais elevados. Estas condições devem ser corretamente interpretadas, evitando-se assim diagnósticos precipitados de hipertensão arterial em pessoas saudáveis.

A hipertensão arterial é reconhecida como entidade clínica quando corresponde a valores elevados de pressão arterial de forma sustentada. De forma geral e genérica assumem-se como valores de referência uma pressão arterial sistólica (máxima) de 140 mmHg e diastólica (mínima) de 90 mmHg. O médico poderá considerar outros valores, em função de doenças ou condições médicas já existentes, e também poderá decidir por uma avaliação complementar com exames, permitindo esclarecer causas ou consequências. A hipertensão arterial não se sente e a avaliação da pressão arterial em consulta é essencial para o diagnóstico, valorizando-se também os antecedentes pessoais e familiares.

Esta condição médica é um fator de risco para doenças cardiovasculares pelo que a prevenção é o principal objetivo. O primeiro pilar do tratamento, como em muitos outros contextos, é a adoção de hábitos de vida saudáveis: não fumar, ter uma atividade física regular, adotar hábitos alimentares saudáveis – sem esquecer a redução de consumo de sal. Em alguns casos, esta alteração no estilo de vida adotado é suficiente para estabilizar esta tensão interna ou, pelo menos, atrasar algumas décadas o aparecimento da hipertensão arterial.

A medicação também poderá ser iniciada e o acompanhamento regular em consulta permite ajustar a terapêutica que é prescrita para normalizar a pressão arterial, evitando-se assim os danos que a hipertensão pode desencadear.

Philippe Botas (Médico de Medicina Geral e Familiar)

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