Se começar a olhar para o que deita no caixote do lixo, depressa percebe as contas que outros fizeram e que denunciam que 40% do desperdício alimentar acontece nas nossas casas. Vamos continuar a olhar para a comida que colocamos no lixo?

Já percebemos que a fruta feia não vende e nem nos damos ao trabalho de a provar. Tal como nem sempre distinguimos o “consumir até…” do “consumir de preferência antes de…”, mas acabamos todos por cair na armadilha das promoções, sempre que anunciam leve 4 e pague 1, se está mais barato, porque não? Porque estamos a esbanjar. Ou seja, a aumentar quantidade de desperdício alimentar que cada um de nós produz todos os dias.

Custa a acreditar, mas 40% dos desperdício alimentar acontece nas nossas casas, na minha, na sua, na do vizinho… Não acredita? Comece a olhar para o que entra no caixote do lixo comum e vai perceber o que a FAO tem andado a dizer em vão: 1/3 de todos os alimentos produzidos anualmente e em todo o mundo é desperdiçado. Por cá, o desperdiço anual será de um milhão de toneladas de alimentos. Neste mesmo país, há 360 mil pessoas que passam fome.

Claro que o desperdício alimentar não começa e acaba em casa. Antes, já houve desperdício na produção, no processamento, na distribuição e na venda. Mas, se tivermos presente que 40% desse mesmo desperdício também acontece nas nossas casas, seja antes ou depois de cozinhar, facilmente concluímos que somos todos responsáveis.

A situação irá tornar-se insustentável, pelas consequências, sejam sociais ou económicas e ambientais. O afastamento das pessoas à terra e à natureza faz com que exista uma consequente perda da noção da origem dos produtos e da escassez dos recursos naturais. A responsabilidade individual é inadiável e não nos fica muito bem esperarmos que sejam os filhos e os netos a apontarem-nos o dedo também para este desperdício diário.

Há 3 anos e em Portugal, 2016 foi o Ano Nacional do Combate ao Desperdício Alimentar, deu conta? Certamente que não, porque estas mudanças não se dão por decreto, mas também porque todos nós assumimos que devem ser os outros a fazer qualquer coisa para mudar. O governo, o presidente, os empresários, os comerciantes… E nunca colocamos o problema no singular, em nós.

Para o desperdício alimentar é isso que temos de fazer, porque somos nós que vamos às compras, que cozinhamos ou, em última instância que colocamos a comida no prato e não adianta ter mais olhos que barriga, porque o que sobrar vai mesmo para o lixo.

Para o consumidor final, a cadeia de desperdício começa nas compras. E da próxima vez que comprar duas alfaces, pense se é mesmo necessário ou se uma delas não irá acabar no caixote do lixo, sem que tenha saído do saco. Mas não só. Faça a lista de compras e programe as quantidades do que vai precisar. Não deve cair na tentação do leve 2 e pague 1.

Para o comerciante há interesse em esgotar o stock, mas para si pode não ser necessária tanta quantidade. Em casa, é preciso organizar os produtos das compras por prioridades de validade e, nunca é demais lembrar que se arrumar a despensa e a cozinha vai encontrar produtos que já nem se lembrava e que devem ser consumidos, sob pena de irem para o lixo.

As refeições devem ser adequadas a um consumo equilibrado e, mesmo que existam sobras, lembre-se que tem até 3 dias para as reutilizar, desde que bem acondicionadas claro. Aliás, a Associação Portuguesa de Nutricionistas tem disponíveis inúmeras receitas para aproveitamento de restos. Por fim, mas não menos importante, lembre-se que quase todos os frigoríficos têm uma secção que se chama congelador. É lá que também pode acondicionar alguns alimentos, evitando assim o desperdício que todos nós fazemos, mas que deve ser eliminado.

Leopoldina Simões (Técnica superior de HST )

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