Joanetes, deformidades dos dedos, dor de calcanhar ou na planta do pé, artrose nos dedos ou tendinite no tendão de Aquiles são algumas das queixas que justificam dor nos pés e, por vezes, correção cirúrgica. Mas, nem sempre, nem nunca, a dor de calcanhar é um daqueles casos que se resolve sem necessidade de intervenção

Hoje e em grande parte das deformidades dos pés não se justifica manter os milhões de horas com dor e adiar uma intervenção de correção. 

A cirurgia que recorre a pequenos orifícios pode resolver todo esse sofrimento acumulado. Chama-se cirurgia percutânea do pé e a técnica e os instrumentos próprios que utiliza inserem-se no que se denomina cirurgia minimamente invasiva. Ou seja, em vez de recorrer ao bisturi, que corta e expõe os tecidos, até que a zona intervencionada seja visível, recorre-se a pequenos orifícios. Através de pequenas aberturas de 5 a 7 milímetros é possível alcançar a zona que se pretende corrigir, causando menor dano nos tecidos envolventes, evitando-se uma exposição direta e/ou traumatismo das zonas envolventes. Os gestos cirúrgicos são guiados por controlo radiológico e não está implícita a necessidade de anestesia geral.

Para o doente, as vantagens são inúmeras e, desde logo, não necessita de internamento, tal como não é necessária uma imobilização do pé intervencionado.

O doente deambula no próprio dia da cirurgia, o que lhe permite recuperar rapidamente as atividades habituais diárias, com algumas restrições, como a necessidade de repouso e a obrigatoriedade do uso de sapatos próprios para o pós-operatório.

Os joanetes, algumas deformidades e a artrose nos dedos do pé são algumas da deformidades que podem ser corrigidas com esta técnica cirúrgica. Mas não só. Alguns casos mais evoluído de tendinite do tendão de Aquiles, uma lesão que é comum e justificada pela sobrecarga, também pode ser corrigida por cirurgia percutânea, quando o tratamento conservador se revela ineficaz. 

As palmilhas almofadadas, os anti-inflamatórios e a aplicação de gelo, são a base do que se denomina de tratamento conservador, que costuma ser eficaz na grande maioria destes casos de tendinite, contudo, quando a dor e a incapacidade persistem, a intervenção cirúrgica apresenta-se como o plano B.

Mas, nem todos os pés/casos podem ser operados desta forma. Quando a deformidade é muito importante não se deve utilizar a cirurgia percutânea, sendo aconselhado respeitar as indicações e seus limites.

Nem tudo são deformidades dos pés e a principal causa de dor do calcanhar acaba por ser a chamada fasciite plantar, que mais não é do que uma inflamação da fáscia. Ao princípio, a dor é ligeira e assemelha-se apenas a um incómodo quando se coloca o pé no chão, no início da marcha, contudo, esta é uma situação que pode evoluir para dor crónica do calcanhar.

Neste caso, o diagnóstico correto e atempado é um fator decisivo para que o tratamento se inicie o mais precocemente possível. Nas causas ou fatores de risco, podemos apontar a idade (mais de 40 anos), o pé cavo e/ou chato, o excesso de peso, estar de pé durante longas horas, calçado inadequado e atividade física de alta intensidade e os desportos de contato, como saltar, correr, basquetebol ou ballet.

O tratamento conservador aconselha o uso de palminha/almofada no calcanhar, aplicação de gelo, toma de anti-inflamatórios, fisioterapia e a opção por desportos de menor impacto, como a natação e o ciclismo.

As chamadas medidas conservadoras serão suficientes para evitar que esta situação evolua para dor crónica. Cerca de 90% dos casos recuperam com medidas conservadoras e a cirurgia raramente é necessária. O tratamento cirúrgico é realizado essencialmente quando os tratamentos médicos falham no controlo da dor.

Ana Rita Gaspar
(Médica Ortopedista)

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