Admitimos que o termo sarcopenia não lhe diz nada, mas se acrescentarmos que é uma entidade associada ao envelhecimento já faz sentido ficar atento. O aumento progressivo da longevidade está a alterar radicalmente a realidade dos internamentos em ortopedia, porque quem escorrega cai…

Em muitas localidades, quando duas pessoas se encontram, é habitual perguntarem uma à outra, “como vão essas forças”? Pergunta sábia e do conhecimento popular ancestral, que porventura traduz já o conhecimento de uma entidade relacionada com o envelhecimento, denominada a sarcopenia.

Este termo significa uma situação caracterizada pela perda progressiva e generalizada de massa muscular esquelética e da sua função (perda de força e/ou deterioração do desempenho físico), associada ao envelhecimento que conduz a uma perda de capacidade física, muitas vezes também relacionada com a osteoporose.

Talvez seja esta a fatura associada ao aumento da longevidade. Vamos perdendo a força muscular, com progressivo acentuar da dificuldade na marcha e aumento do número de quedas! Estas, associadas à osteoporose passaram a ser uma patologia muito frequente nos idosos, nomeadamente a fratura da extremidade proximal do fémur.

Com o aumento progressivo da longevidade aumenta este tipo de fraturas, modificando, de forma radical, a realidade da maioria dos internamentos hospitalares de ortopedia. Não só pelo aumento do número de casos, mas porque não estamos perante uma fratura – se calhar o mais simples de tratar – mas sim perante um conjunto de patologias associadas (co-morbilidades) que atrasam quer o tratamento quer a recuperação dos doentes.

Para tratar estes casos tem vindo a ser desenvolvida a Ortogeriatria, área que agrupa médicos internistas, ortopedistas e reumatologistas unidos no propósito de promover o melhor tratamento a estes doentes.

Mas talvez valha a pena prevenir as quedas e assim evitar problemas causados por uma fratura. Prevenir quedas implica tomar pequenas medidas simples, como a utilização de varões nas casas de banho, colocação de um pequeno banco de apoio na banheira, utilizar um tapete antiderrapante ou evitar que caia água para o chão durante o banho.

Em casa deve existir boa iluminação, reforçada à noite por pequenas luzes de presença, não devem existir obstáculos nos principais trajetos, bem como se devem evitar tapetes que não estejam bem fixos ao chão.

A utilização de um calçado adequado, vigilância e cuidado com a higiene e estado dos pés, bem como a utilização de auxiliares de marcha constituem medidas importantes para evitar as quedas.

Por último, uma palavra para os cuidados de saúde como a alimentação, a realização de avaliações periódicas da qualidade da visão, vigilância da glicémia e controlo da diabetes, bem como da medicação, são fundamentais para evitar uma queda e o risco de uma fratura, que pode revelar-se fatal!

Fernando Fonseca (Médico, Ortopedista)

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