As repetições sucessivas, a motivação e o objetivo específico continuam a ser essenciais para melhorar qualquer aptidão. Hoje, este caminho já não se faz sozinho. A neuroplasticidade, o/a fisioterapeuta e a robótica ajudam a potencializar o movimento
Quando se fala de robótica, robôs ou dispositivos robotizados, é comum ouvirmos a sua definição e propósito. Aqui, o dado curioso – mas pouco relevante – começa na Chéquia. Terra Natal de Karel Capek, escritor reconhecido pelo aclamado “Guerra das Salamandras”, mas também a “casa” da empresa que fabrica os equipamentos R-Gait ou o R-Touch Elite, presentes na Intercir, Centro Cirúrgico de Coimbra. Foi este mesmo Karel Capek que se demarcou pela introdução do termo robota – Robô – em RUR (peça de teatro de ficção científica, 1920).
Nesta versão, robota, refere-se a trabalho forçado ou árduo; criatura artificial ou organismo artificial com inteligência. Curioso também que este termo celebrou um centenário e está mais vivo que nunca no nosso léxico. Na sua origem não eram necessariamente equipamentos metálicos, com os quais estamos habitualmente familiarizados, mas sim muito úteis como veremos mais à frente.
No campo da fisioterapia, independentemente da área, devemos ter em conta que o movimento está na base da atuação. Não sendo um problema ou desafio atual, a tarefa do fisioterapeuta é dificultada pela exigência de conseguir executar/guiar o movimento do outro de uma forma constante. Ou seja, na quantidade, intensidade e precisão, o que exige um esforço físico ao terapeuta, mas também à pessoa que executa os exercícios.
Lança-se então a questão: de que forma podemos ligar estes equipamentos ao processo de fisioterapia? Tenhamos em conta que o maior desafio para qualquer pessoa que procure melhorar uma aptidão, principalmente numa fase pós lesão (adquirida ou não), é o processo de aprendizagem de uma tarefa. Um processo que assenta essencialmente em três pilares: Repetições sucessivas, Objetivo específico e Motivação.
Sabemos que estes três pilares permitem que exista um processo denominado de Neuroplasticidade – processo de reorganização do cérebro, através da criação de novas conexões neurais (Puderbaugh, M.)
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK557811
É precisamente aqui que os diferentes conceitos agora se cruzam. Os equipamentos robotizados têm vindo a transformar a intervenção em fisioterapia, pela sua capacidade da indução de movimentos precisos, mantendo a forma e intensidade; a criação de ambientes envolventes – através de jogos com objetivos funcionais – potenciando a motivação de quem os usa e acima de tudo, com menos esforço físico para o profissional de saúde.
Estas são vantagens que não ilibam ou diminuem o papel do/a fisioterapeuta. Evidentemente que estas características oferecem bastante à recuperação, mas carecem da tomada de decisão, avaliação criteriosa e planeamento individualizado. Porque todas as pessoas merecem que o seu cuidado seja único.
Chegados aqui, percebemos que o/a fisioterapeuta deve ser o mediador entre a tecnologia e o movimento humano. Porque este é o profissional capaz de conseguir interpretar os dados que são fornecidos pelos diferentes dispositivos e colocá-los à luz das necessidades (individuais) de quem procura ajuda.
Portanto, podemos dizer que a robótica entra neste ramo da saúde para otimizar a recuperação, sendo um complemento terapêutico. No fundo, um facilitador da aprendizagem através da potencialização do movimento e da quantificação objetiva do processo de recuperação.
A reflexão para o futuro e o desafio de hoje, é a forma como integramos todas as equipas em prol da pessoa que procura cuidados em saúde. Uma investigação da universidade de Yale (EUA) mostra o claro exemplo da importância da quantificação rigorosa dos resultados. Neste exemplo, podemos ver a forma como a perceção pode adulterar os resultados, mediante a expectativa do observador. A dois grupos homogéneos foram dados batidos (milkshakes): a um grupo foi dito que o batido tinha poucos açúcares, gorduras e calorias. Ao outro grupo, foi dito que seria o oposto e que continha muitos açúcares, gorduras e calorias. Como seria de esperar, este segundo mostrou ter menos fome após uma hora. O dado curioso é que, de facto, os batidos eram todos iguais, o que mudou foi a informação que foi dada aos participantes.
Ou seja, a perceção pode adulterar os resultados, alterando a sua objetividade, daí a investigação ser o mote para o avanço nos cuidados em saúde. Aqui, temos de agregar as equipas de engenheiros capazes de transformar ideias em desenhos no papel e depois em equipamentos com uma tonelada em outros leves como penas.
Como mensagem final, deixo uma passagem de Lord Henry, personagem fictícia de O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wild: “A vantagem das emoções é que nos abstraem da realidade, e a vantagem da ciência é que não tem emoções”. Apesar do fisioterapeuta não deixa de ser uma forma de conexão e compaixão com quem precisa de ajuda. Mas a ciência, essa é a base para a evolução.
Citando o principal impulsionador da Intercir, Centro Cirúrgico de Coimbra “Devemos fazer da Fisioterapia Ciência” (António Travassos, médico oftalmologista).
Rodrigo Silva
(Fisioterapeuta e especialista clínico na BTL Medical)
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