Desmistifica-se a desaceleração de crescimento que pode ocorrer aos três ou quatro meses de idade e identifica-se o excesso de peso muito mais cedo. A nova tabela de crescimento (percentis) da OMS passou a ser aplicada às crianças e jovens portugueses. Mudou a bitola que guia o crescimento desejável

Os pediatras já sabiam que as curvas de crescimento adotadas para as crianças e jovens portugueses não eram adequadas e andaram anos a explicar que era necessário mudar. A Organização Mundial de Saúde (OMS) corroborava. A Direção Geral de Saúde aproveitou a revisão do programa-tipo de atuação em saúde infantil e juvenil para questionar sobre a aplicação ou não das novas curvas de crescimento em Portugal, que resultam de uma tabela da OMS publicada em 2006.

Um grupo de peritos recomendou a mudança e após o período destinado à discussão pública, a nova tabela de crescimento saudável passou a ser aplicada às crianças e jovens portugueses. Desde 2013 os recém-nascidos portugueses têm novas curvas que guiam o crescimento saudável.

A nova tabela de crescimento indica como as crianças devem crescer, desejavelmente, incluindo o peso, comprimento/ estatura e o índice de massa corporal, logo a partir do nascimento, o que não acontecia até agora. A tabela criada pela OMS resulta de um estudo a mais de oito mil crianças, oriundas de vários países e com uma grande variabilidade étnica e cultural.

Os pediatras destacam o facto de as novas curvas de crescimento, agora adotadas, identificarem os lactentes e crianças com sobrepeso e/ou obesidade, além de permitirem reduzir a percentagem de lactentes referenciados como subnutridos, sem o estarem verdadeiramente. Isto porque, seguindo a tabela que tem estado em vigor, o crescimento dos lactentes amamentados não seria corretamente avaliado e dava azo a avaliações incorretas pelos 3 a 4 meses de vida, dando a ideia de uma falsa desaceleração, quase sempre associada a um início precoce da suplementação com leite industrial.

Hoje, há a noção que o regime alimentar hiperproteico é um dos mais frequente e mais preocupante erro alimentar nos primeiros anos de vida, que pode conduzir a um aumento do risco da obesidade. Uma preocupação que deve ser encarada como muito séria, tendo em conta os últimos estudos sobre o excesso de peso e obesidade. Entre 13 países, são as crianças portuguesas que ocupam um lugar cimeiro, revelando um dos piores indicadores na obesidade infantil.

Os novos boletins individuais de saúde (livros rosa ou azul), distribuídos nas maternidades, além de trazerem uma nova tabela de percentis, também apresentam alterações nas consultas recomendadas. Foi introduzida uma consulta aos cinco anos, no fim da idade pré-escolar e sugere-se uma segunda consulta de avaliação dois anos depois. A entrada numa nova fase da vida das crianças, aquando do início do 2.º e 3.º ciclos, é justificação para que pediatras e médicos de família façam uma nova avaliação, tal como se sugere que exista uma última consulta, entre os 15 e os 18 anos de idade.

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