O diagnóstico tem sido precoce e, normalmente, resulta de um achado acidental num exame imagiológico, uma ecografia… Bastou esta evolução para que a resposta do tratamento pudesse ser mais eficaz. A cirurgia continua a ser a solução, mas com um diagnóstico precoce o rim pode ser poupado

Os tumores malignos do rim representam 2 a 3% de todos os tumores sólidos. Apesar desse facto, a sua incidência parece estar a aumentar na Europa e no mundo Ocidental. Existem vários fatores de risco conhecidos, como por exemplo: o tabaco, a obesidade, a hipertensão arterial e a existência de familiares diretos com carcinoma de células renais. Também existem medidas de proteção, como a cessação tabágica e a diminuição de peso, em casos de obesidade.

Atualmente, a grande maioria dos tumores renais são diagnosticados ainda sem sintomas, normalmente são achados acidentais em exames imagiológicos abdominais (normalmente a ecografia levanta a suspeita de lesões renais sólidas). Hoje, este é o chamado tumor do imagiologista (achado incidental em exame imagiológico). Esse diagnóstico mais precoce – normalmente doença localizada e de pequenas dimensões – foi uma revolução no tratamento cirúrgico e no prognóstico dessa patologia, permitindo a realização de cirurgia poupadora de rim (nefrectomia parcial).

Uma minoria dos casos corresponde a doença mais avançada e pode manifestar-se por hematúria (sangue na urina), dor abdominal ou lombar, massa abdominal, febre, anemia, emagrecimento, falta de apetite e dor óssea. Presentemente, estas situações são pouco frequentes, mas pela sintomatologia inespecífica eram consideradas o “tumor do internista”, especialidade que normalmente fazia o diagnóstico destes casos mais avançados.

A ecografia renal, realizada no contexto de exame de rotina, é a forma mais comum de deteção de uma massa renal sólida no rim (suspeita de tumor). Habitualmente, o diagnóstico é confirmado por tomografia – com contraste – ou por ressonância magnética, ambas permitem visualizar um nódulo renal suspeito de malignidade. Por vezes, pode ser difícil avaliar se o nódulo visualizado é maligno ou benigno e, para esses casos, pode ser necessário realizar uma biópsia, que nem sempre é conclusiva, ou proceder à sua remoção cirúrgica. Contudo, a maioria das lesões renais diagnosticadas pela ecografia são lesões quistícas corticias simples, sem riscos de evolução para neoplasia maligna.

O prognóstico da doença depende do tipo e do volume do tumor do rim, bem como da sua extensão a outros órgãos (metástases). As metástases são mais comuns nos gânglios linfáticos, pulmão, fígado e osso.

O único tratamento curativo para o tumor do rim é a cirurgia, com remoção total ou parcial do órgão, podendo ser realizada através de via “aberta” (cirurgia clássica) ou via laparoscópica (cirurgia menos invasiva). Com o diagnóstico mais precoce (lesões menores) a cirurgia poupadora de nefrónios (nefrectomia parcial), consiste na retirada do tumor com pequena margem de segurança, preservando-se assim o restante do parênquima renal.

Este é o tratamento de escolha sempre que possível, uma vez que não altera o prognóstico oncológico e proporciona uma melhor função renal residual. A cirurgia garante uma taxa alta de cura quando o tumor se encontra apenas localizado no rim.

Nos casos de o tumor invadir outros órgãos (metástases) existe a possibilidade da sua remoção cirúrgica e/ou realização de imunoterapia, porque estes são tumores que não respondem à quimioterapia clássica e a radioterapia também não é utilizada no tratamento do cancro do rim; sendo apenas utilizada para aliviar a dor metastática (por exemplo provocada por metástases ósseas).

Existem ainda outras técnicas não cirúrgicas, que levam à destruição tumoral por meio do congelamento (crioterapia) ou do calor (radiofrequência), métodos minimamente invasivos a partir da utilização de agulhas, mas que só podem ser aplicados em situações muito especiais.


Silvio Bollini (Médico Urologista)

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