Mesmo em situações de sub-visão e já sem possibilidade de recuperação, a dependência não deve ser uma norma. Há soluções que “devolvem” alguma visão perdida, desde que as pessoas recusem ficar num sofá a ouvir rádio

A baixa visão ou sub-visão existe quando a visão do melhor olho é inferior a cerca de 30-40%. As causas podem ser várias e incluem as doenças degenerativas da retina, como a DMI, retinopatia diabética ou as doenças hereditárias. São situações que danificam a retina definitivamente, sem que exista uma hipótese de recuperação. Como 90% da quantidade de visão está situada na mácula, o centro da retina, as lesões nesta área causam sempre uma redução drástica de visão.

A primeira queixa é a perda da capacidade de leitura, porque para conseguir ler é preciso ter cerca de 40% de visão. Nas situações de baixa visão, as letras ficam demasiadas pequenas ou parcialmente invisíveis. Não se consegue ler correspondência, faturas ou outro correio e os livros ficam na prateleira. Escrever ainda se consegue porque, afinal, até podemos escrever de olhos fechados… Pior é ler o que foi escrito ou escrever no sítio certo.

Determinadas tarefas deixam de poder ser executadas porque exigem visão de precisão.

Ver televisão torna-se complicado porque a imagem é pequena e as legendas passam muito depressa.

Uma pessoa com baixa visão não reconhece as pessoas na rua, não consegue fazer as tarefas habituais, aborrece-se, começa a aborrecer os outros à volta e isola-se. Ultrapassa a barreira da independência e torna-se dependente de outros. Não sai da casa e limita-se a ouvir rádio ou a “ver” televisão, fica num estado passivo. O que era um problema pessoal transforma-se num problema social. Ter baixa visão não significa que a pessoa pense logo em aprender braille. Felizmente há soluções para muitos casos e situações, com ganhos significativos.

Quando a perda de visão não é muito grande, é possível recorrer ao uso de uma lupa para ler. O mais importante é experimentar antes de comprar, existem centenas de lupas no mercado, mas é preciso encontrar a lupa que mais se adapta à situação clínica.

Há lupas com e sem luz, mas a luz será um bom auxiliar de leitura, porque ajuda a um bom contraste. Também há lupas adaptadas à escrita e ainda óculos de maior ampliação que permitem que as mãos fiquem livres. A lupa é um instrumento portátil e fácil de usar, mas também tem limitações. A ampliação é fixa e, quanto mais se amplia, mais reduzido fica o campo de visão. Estas soluções são relativamente económicas. Existem, no entanto, soluções mais sofisticadas, como os ampliadores eletrónicos com luz própria e tabuleiro móvel, que têm uma ampliação variável e uma zona de visão muito maior, permitindo que qualquer texto possa ser facilmente ampliado à necessidade. Este tipo de equipamento dá uma grande independência e oferece mais qualidade de visão.

O utilizador não fica limitado à leitura, permitindo também escrever, ver fotos da família, jornais, livros favoritos, correspondência ou coleções, cortar ou pintar as unhas e ver o aspeto do jantar que está no prato. Este tipo de instrumento também pode ser ligado a um computador e também é comercializado numa versão pequena e portátil, o que permite ser transportado para fora de casa. Abrem-se novos caminhos à descoberta.

O mais importante é encontrar uma solução para o doente ficar novamente independente, seja nos seus hábitos diários, gostos ou rotinas que tenha adquirido anteriormente à perda de visão. A consulta de sub-visão existe e é um apoio para os nossos doentes que têm uma baixa visão definitiva e que recusam ficar sentados num sofá a ouvir rádio.

Robert van Velze

(técnico especializado em sub-visão)

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