Ser enfermeiro é ser confrontado permanentemente, quer com os limites físicos, quer com os limites psicológicos e espirituais, seus e da pessoa com dor. A massagem terapêutica constitui um dos inúmeros meios para nos protegermos e cuidarmos de nós próprios enquanto indivíduos, assim como desenvolve competências técnicas, científicas e relacionais dos enfermeiros para um Cuidar pleno da pessoa.

Atualmente esta técnica é considerada como uma das mais generalizadas terapias energéticas, uma vez que permite um conjunto de sensações, de movimentações internas que potenciam o bem-estar.

A experiência da massagem inicia-se no nascimento, quando os músculos do útero pela sua contração rítmica iniciam o processo de parto. À medida que nos tornamos auto suficientes, os movimentos de massagem do próprio corpo, tornam-se mais vigorosos e, gradualmente, a coordenação das nossas mãos permitem-nos apertar, friccionar e aliviar qualquer desconforto que possamos experimentar. Assim, a nossa relação com as origens da massagem pode ser analisada de uma forma muito mais personalizada do que uma perspetiva histórica poderia sugerir. Segundo a história escrita, médicos, filósofos, poetas e historiadores mostram que alguma forma de fricção ou de unção era utilizada desde a mais remota antiguidade nas culturas em todo o mundo, revelando a tradição milenar da prática da massagem.

Massagem, do grego, significa amassar, “ato de pressionar”. A massagem terapêutica baseia-se na utilização de técnicas manuais cujo objetivo consistem em aliviar o stress, induzir o relaxamento, mobilizar estruturas variadas, aliviar a dor, reduzir o edema, prevenir deformidades e promover a independência funcional a doentes com patologias específicas. A massagem constitui-se como uma forma de toque terapêutico. O toque transcende o contacto físico, “skin to skin”, é uma forma de proximidade, de presença, de carinho, de comunicação não-verbal, que pode contribuir para reduzir o medo, a ansiedade e proporcionar o bem-estar físico e psicológico do doente. A massagem constitui o toque holístico que vai para além da pele, interfere nos músculos e nos órgãos mais profundos, permitindo a consciência da corporalidade.

Uma das vertentes da massagem que valorizo compreende a massagem dos pés, também denominada de reflexologia podal. Esta técnica baseia-se no tratamento por meio de estímulos numa área reflexa. Ao massajarmos os pés, estimulam-se as diversas áreas do corpo humano para aliviar dores, distúrbios orgânicos e emocionais, produzindo assim um grande equilíbrio corporal, da forma mais simples possível.

A massagem consiste em compartilhar contactos, sendo as nossas mãos o fio condutor imprescindível nessa relação de doação. “A relação que se estabelece quando se é tocado em corpo e alma, não deixa quem cuida e quem é cuidado indiferentes. O toque … é um momento privilegiado do cuidar…está para além do toque físico…implica sentir a voz, a postura, o olhar; a intervenção e o afeto…desse momento e dessa pessoa.” (Pestana, 1999)

 

Ana Filipa Sousa

(enfermeira)

 

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