Ainda há quem acredite que, amanhã, existirá uma vacina contra o cancro… E se assim for?

Vamos deixar de questionar as vacinas? Pelo menos, enquanto nos lembrarmos dos efeitos que o cancro faz… Com a poliomielite foi isso que aconteceu. Os efeitos da doença desapareceram e depressa esquecemos a importância da vacina. A poliomielite não tem cura, é certo, mas há uma vacina e é apenas isso que faz a diferença.

Hoje, seria impensável uma epidemia de poliomielite, tal como ontem seria surreal admitir que as epidemias do sarampo renasceriam em Portugal. Esquecemos depressa demais o poder da vacinação e, pior ainda, desconfiamos das vacinas. Nenhuma vacina é 100% eficaz e a taxa de vacinação nunca será de 100 %, tão só porque há pessoas que podem ser alérgicas a algumas substâncias ou porque têm o sistema imunitário comprometido. Por isso, à partida, as vacinas nunca podem ser para todos, há estas exceções. Só que de exceção em exceção, foi-se juntando a desinformação – as fake news não nasceram agora – mas também o desinteresse ou neglicência, precisamente, porque perdemos a memória às epidemias.

A imunidade de grupo acaba por proteger um e todos, só que já não está como era, desceu abaixo dos 95% e é isso mesmo que está a fazer com que estejamos cada vez mais desprotegidos, nós e os outros.

Imagine o João, que apesar dos seus sete anos de idade, já transporta consigo uma doença que destabiliza o seu sistema imunitário. O João terá de combater a doença sozinho, isolado mesmo e afastado de todos os outros. A escola fica adiada, a socialização também.

Porquê? Porque os colegas e a escola não asseguram a imunidade de grupo e o João não pode arriscar. As vacinas também fazem isto, protegem quando os outros estão mais frágeis. Mas, principalmente, protegem cada um de nós.

A vacina do tétano é um bom exemplo. Existe, mas não confere imunidade de grupo. A proteção é individual e fica dependente de uma vacina e dos vários reforços. Uma ferida contaminada pode ser o início. Depois, de espasmo em espasmo, o doente pode acabar por morrer por sufocação. Há quanto tempo não olha para o seu Boletim de Vacinas?

 

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