Sabemos que há fatores de risco, mas ainda se desconhece qual a causa específica. Admite-se que o cancro da mama surge quando se reúne um conjunto de fatores. Em Portugal, é um risco nascer mulher. A “embalagem” biológica afeta uma em cada dez mulheres.

Hoje, 11 mulheres portuguesas serão informadas que têm um cancro da mama. É assim todos os dias. Hoje, quatro famílias vão chorar a morte das mulheres que perderam neste dia. É esta a marca diária que o cancro da mama deixa nas mulheres portuguesas. Nascer mulher, tem este fator de risco quase implícito. Só 1 em cada 100 casos de cancro da mama se desenvolve no homem. Ele não está imune, mas é Ela que vive com este “fado”. E o mais perturbador é que há muito pouco a fazer para prevenir o cancro da mama. A ação está concentrada no diagnóstico precoce. É muito pouco, mas é este tipo de atitude que vai ditar a sobrevida.

O risco começa quando se nasce mulher e a probabilidade de ter um cancro de mama aumenta com a idade. Se aos 20 anos, a probabilidade é de um cancro da mama em cada 20 mil mulheres, esta probabilidade vai aumentando exponencialmente, atingindo um pico entre os 55 e os 65 anos, diminuindo progressivamente a partir dos 70 anos. Mas, se todas as mulheres vivessem até aos 80 anos, uma em cada oito sofreria de cancro da mama em um qualquer momento da sua vida. Há ainda que ter em conta os fatores hereditário e genético, porque o risco aumenta quando alguém na família direta (mãe, tia ou irmã) já teve um cancro da mama, mas também o risco acrescido dos efeitos dos exames de radiologia e radioscópicos, e da radioterapia, quando esta é feita antes dos 30 anos e incide na zona do tórax. Esta conclusão resulta, por exemplo, da observação das mulheres jovens que sobreviveram às bombas atómicas de Hiroshima e Nagasaki mas, anos mais tarde, foram afetadas, constatando-se uma grande incidência de cancro da mama.

As hormonas e a história hormonal de cada mulher têm também um papel primordial neste “fado” quase só delas e, ser mãe pela primeira vez depois dos 35 anos, ou ter uma história menstrual prolongada podem ser fatores de risco. A culpa continua a ser dos estrogénios, a hormona feminina que “alimenta” as células do cancro e que promove a sua multiplicação de forma desordenada.

Há outros fatores que, recentemente, foram evidenciados como sendo de risco e é aqui que se inclui o fator raça, uma vez que o cancro da mama prevalece em mulheres caucasianas (raça branca), mas também o fator obesidade, principalmente após a menopausa e, mais uma vez, por culpa do aumento da produção de estrogénios. Admite-se que a falta de exercício físico aumenta o risco para o cancro da mama, da mesma forma que também se sugere uma relação direta entre uma maior ingestão de álcool (particularmente as bebidas destiladas), bem como a densidade do tecido mamário (detetado em mamografia e em mulheres com mais idade).

Os especialistas sublinham que 90% dos cancros da mama são curáveis. Um dado que só se torna realidade quando estes cancros são detetados numa fase inicial, denominada de “subclínica”, porque ainda não são detetados nódulos ou outras alterações; daí a necessidade de um rastreio eficaz com mamografia e um controlo de qualidade adequado. Hoje, a nova tecnologia aplicada à mamografia digital ajuda a maximizar a possibilidade de deteção de tumores. A revolução está na possibilidade de examinar em três dimensões o que é tridimensional e a mamografia combinada com tomossíntese é isso que faz, fornecendo imagens em 3D.

Especialmente indicada para mamas mais densas, com muito tecido fibroso ou glandular e pouco tecido adiposo, a mamografia 3D com tomossíntese melhora a possibilidade de deteção do cancro da mama, mas também a especificidade dos resultados obtidos neste exame. A utilização deste equipamento é igual à da mamografia digital, sendo o tipo de imagem obtida o fator de diferenciação no diagnóstico.

À mamografia com tomossíntese junta-se a possibilidade de realizar ecografia mamária, ressonância mamária e ainda o facto de todos os exames poderem ser guiados por esterotaxia. O Centro Cirúrgico de Coimbra está agora equipado com todos os equipamentos que permitem um estudo completo da mama.

 

Leave a reply