Não são visíveis a olho nu e por isso não nos assustamos. Mas, os germes estão lá e aos milhares. Andam de mão em mão, transportam perigo e propagam-se facilmente ao mínimo contacto. A cadeia de contágio pode ser interrompida, basta lavar as mãos

É preciso entrar no mundo dos microrganismos para entendermos o que se passa nas nossas mãos. E se há microrganismos que são úteis e nos ajudam a manter a nossa saúde, outros há que nos provocam doenças. É para estes germes, invisíveis a olho nu e que podem circular aos milhares nas nossas mãos que devemos acionar alertas de prevenção. Sabão e água corrente são os ingredientes necessários para seguir uma cultura de segurança e proteção. Ou seja, basta lavar as mãos, durante 40 a 60 segundos para se livrar dos indesejáveis germes que existem num puxador de porta, no corrimão da escadas, no botão de um elevador, na barra dos transportes públicos ou num cordial aperto de mão.

As regras de segurança defendem que a prática de lavar as mãos deve tornar-se em hábito obrigatório sempre que manusear alimentos, antes de comer, após utilizar instalações sanitárias, depois de usar transportes públicos, depois de tocar em animais, antes de retirar lentes de contacto, depois de se assoar, tossir ou espirrar, depois de mexer em lixo, depois de mudar fraldas, antes e depois de tocar em feridas e antes depois de visitar um doente internado em instituição hospitalar.

 

Segurança apertada

 

Nos cuidados de saúde e quando se fala em segurança do doente, ninguém põe em causa a importância da prática da higiene das mãos, como sendo uma das medidas integradas no conjunto de precauções básicas, mais simples e mais efetiva na prevenção e controlo da infeção associada aos cuidados de saúde, contribuindo desse modo para a redução da morbilidade e mortalidade dos doentes.

Nem todos seguem esta regra básica e primária. As infeções associadas aos cuidados de saúde continuam a ser um das maiores preocupações dos sistemas de saúde à escala mundial, seja em países desenvolvidos ou em países em desenvolvimento. Portugal não é exceção. O inquérito de prevalência de infeção adquirida nos hospitais identificou (em 2013) uma prevalência de 10,6% de doentes com infeções associadas aos cuidados de saúde. Uma percentagem que diminuiu, por comparação com o inquérito de 2010, mas que ainda continua superior à média europeia.

Em termos epidemiológicos, é consensual que a transmissão de microrganismos através das mãos entre profissionais de saúde e os doentes, e entre doentes, é uma realidade incontornável, dando origem a infeções com consequências indesejáveis na prestação de cuidados.

No entanto, a adesão à prática da higiene das mãos continua a ser subvalorizada, raramente excedendo os 50%, apesar de todas as recomendações, estratégias e campanhas. A estratégia nacional para a melhoria da higiene das mãos insere-se nas iniciativas da Organização Mundial de Saúde sobre a segurança do doente. A campanha nacional da higiene das mãos tem como objetivo promover a prática da higiene das mãos, de forma padronizada e sistemática, contribuindo para a diminuição das infeções e da resistência dos microrganismos aos antimicrobianos.

Os profissionais de saúde, pela natureza das suas funções, assumem um papel fundamental na prevenção e controlo de infeção da prestação de cuidados seguros e de qualidade e, individualmente, devem perceber a importância do seu papel na prevenção e controlo da infeção, que se pode prevenir e é indesejável, sobretudo numa situação em que o indivíduo já está fragilizado, com uma qualquer doença.

Para os profissionais de saúde, a OMS definiu uma estratégia multimodal onde são definidos os “Cinco Momentos” para a higienização das mãos: antes do contacto com o doente; antes de realizar procedimento asséptico; após risco de exposição a fluidos corporais; após contacto com o doente e após contacto com áreas próximas do doente. Esta é também a nossa estratégia de segurança do doente.

 

Estefânia Abreu

(Enfermeira responsável)

 

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