O desenho de um relógio de tempo e o registo de uma hora específica tornou-se um método robusto na avaliação de um défice cognitivo. Tipicamente, a doença de Alzheimer altera a posição dos ponteiros e os desenhos deste registo gráfico voltam a ser o tema da exposição “desenhar o tempo”. O Museu Nacional Machado de Castro acolhe estes relógios que teimam em não acertar com as 11h10

O desenho de um relógio com ponteiros tornou-se num teste simples, que ajuda a avaliar se um doente tem ou não défice cognitivo. Os resultados podem ser influenciados pela escolaridade e pela idade, mas o efeito acaba por ser robusto quando se procura um diagnóstico. 

O teste do Desenho do Relógio revela se existe ou não um declínio cognitivo, principalmente em áreas como a interpretação do espaço, os códigos numéricos e a estratégia. Para além de uma ajuda preciosa ao diagnóstico, este mesmo teste também torna percetível a evolução da doença.

O teste tem um método e começa com o pedido para a pessoa desenhar um círculo, colocar os números do relógio e indicar as 11h10. A realização da tarefa como um todo implica uma colaboração do lado direito e esquerdo do cérebro, regiões que estão quase sempre afetadas quando existe um processo de demência. Deliberadamente, nunca é pedido para desenhar os ponteiros, cabendo à pessoa revelar a capacidade cognitiva necessária, para se lembrar que é através deles que o relógio clássico indica as horas e os minutos.

A experiência é simples, exige pouco investimento em material e acaba por traduzir num desenho gráfico as dificuldades cognitivas. Se, ao invés das 11h10, a pessoa assinalar as 10h50, o erro do desenho fica evidente e é um sinal suspeito de Doença de Alzheimer. A avaliação ainda implica que se qualifiquem outros erros, como a integridade do círculo, como é apresentada a distribuição dos números no relógio, como se colocam os ponteiros e qual a sua dimensão relativa. Na presença de um processo demencial, os resultados dos desenhos traduzem a distorção das capacidades cognitivas da pessoa.

É uma amostra destes registos gráficos – recolhidos ao longo do tempo – que está em exposição no Museu Nacional Machado de Castro, com o apoio do Serviço de Neurologia do CHUC, Centro de Neurociência e Biologia Celular de Coimbra e Centro Cirúrgico de Coimbra, que apadrinham a exposição “Desenhar o Tempo – o teste do desenho do relógio”.

 A 4.ª edição desta mostra tem inauguração marcada para amanhã, 17 de maio, às 17h00 e vai estar patente até 28 de agosto no Museu Nacional Machado de Castro, podendo ser visitada de terça a domingo, entre as 10h00 e as 18h00.

A conceção e produção artística da exposição “Desenhar o Tempo” é da autoria de Luísa Ramires e a coordenação científica é de Isabel Santana, médica neurologista.

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