Deixou de ser um problema de excesso de álcool, para passar a ser um problema de estilo de vida. Os refrigerantes, o sedentarismo, o excesso de peso, a resistência à insulina, as toxinas e altos níveis de gordura no sangue estão a engordar os fígados das crianças, adolescentes e adultos portugueses

O paradigma mudou e estima-se que 20 a 30% da população esteja a ficar afetada pela esteatose hepática ou, em linguagem comum, pelo fígado gordo. As bebidas doces/refrigerantes são um dos principais ingredientes para a alteração da norma, junte-se a obesidade, as gorduras e o excesso de carne vermelha na dieta alimentar.

O fígado gordo já não é exclusivo do excesso de álcool, nas últimas décadas, esta doença passou a ser uma consequência de um estilo de vida e revela-se na idade adulta, mas também na infância e na adolescência. Como exemplo, hoje, há casos registados de crianças com 4 anos de idade e com evidências de fígado gordo. Ou seja, a gordura que andamos a ingerir em excesso acaba por se acumular no fígado, que fica incapaz de a metabolizar e de a transformar para que seja eliminada.

Até há algum tempo atrás este era um problema típico e quase exclusivo dos consumidores de álcool, pelo excesso que levava a uma acumulação de ácidos gordos no fígado e, com um consumo continuado, a situação acabará por evoluir para lesões hepáticas irreversíveis, tais como a cirrose hepática e cancro hepático.

A situação deixou de ser exclusiva dos consumidores de álcool, porque cada vez mais aumenta o número de casos com um diagnóstico de fígado gordo em pessoas que nunca beberam álcool. Hoje, a acumulação de células gordas no fígado estará a afetar 30% da população, independentemente da idade ou do género.

O estilo de vida – sedentarismo – e a alimentação são os principais responsáveis por esta alteração que agora se regista, junte-se ainda que existem outras causas (mais raras) para o aparecimento de fígado gordo. Além da genética, junte-se ainda o uso de alguma medicação ou a ingestão de toxinas.

No início, esta é uma situação que pode ser reversível, graças à grande capacidade de regeneração deste órgão mas, com a insistência, a acumulação de gordura no fígado acaba por desencadear inflamação e morte celular. É nesta fase que se começam a revelar sintomas. Até aí é tudo muito silencioso.

A fadiga, uma dor abdominal à direita e a perda de peso são alguns dos sintomas e a confirmação da doença será dada por ecografia e análises de sangue. Uma vez diagnosticado, é preciso mudar de vida, porque não existe um medicamento que cure o fígado gordo. A solução passa pela reposição do peso normal, nos casos em que há obesidade e, essencialmente por exercício físico, a par de uma dieta, reduzindo a quantidade de comida, mas também o tipo de gorduras, adequando os valores de calorias ingeridas à quantidade de calorias gastas.

As bebidas alcoólicas devem ser banidas, tal como os refrigerantes que devem ser totalmente eliminados. Acrescente-se ainda que, esporadicamente, a doença do fígado gordo também pode afetar pessoas magras e, nestes casos específicos, a comunidade científica ainda está a tentar perceber quais as alterações no metabolismo e perfil genético que estão a desencadear o despoletar da doença.

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