A doença cardiovascular mata mais mulheres em Portugal do que todos os cancros juntos, incluindo o cancro da mama. Ainda assim, continua a ser um risco subestimado, tanto pelas próprias mulheres como, por vezes, por quem as trata. A menopausa é um momento de viragem que importa conhecer
Quando se fala em saúde da mulher, o cancro da mama ocupa naturalmente um lugar central na nossa atenção, e com toda a razão, dada a sua importância. Mas há um dado que continua pouco conhecido: a doença cardiovascular — sobretudo o enfarte agudo do miocárdio (“ataque cardíaco”) e o acidente vascular cerebral (AVC) — é a principal causa de morte nas mulheres portuguesas, responsável por cerca de um terço dos óbitos femininos, mais do que nos homens. Ambas as causas, cancro da mama e doença cardiovascular, merecem a nossa vigilância, por isso aproveito este espaço para falar também do coração.
Durante os anos férteis, os estrogénios exercem um efeito protetor sobre as artérias da mulher — não é por acaso que as mulheres desenvolvem doença cardiovascular, em média, sete a dez anos mais tarde do que os homens. Com a menopausa, essa proteção vai desaparecendo e o risco cardiovascular acelera: o colesterol LDL, o “mau”, tende a subir, a inflamação no organismo aumenta, há tendência para acumular gordura na zona abdominal e a tensão arterial sobe com mais frequência. Por isso, a transição menopáusica deve ser encarada como uma janela de oportunidade para reavaliar o risco cardiovascular de cada mulher, e não apenas como um assunto ligado a afrontamentos ou alterações do sono.
Há ainda outro problema: a doença cardiovascular na mulher continua, muitas vezes, a ser diagnosticada tarde e tratada com menos intensidade. Os sintomas do enfarte podem ser diferentes — além da clássica dor no peito, são frequentes o cansaço inexplicado, a falta de ar, náuseas ou dor nas costas e na mandíbula, sintomas que facilmente se confundem com outras causas e atrasam o diagnóstico. E, ainda hoje, o próprio risco cardiovascular da mulher acaba por ser desvalorizado, quer por ela, quer por quem a trata. Isto tem de mudar.
Felizmente, a esmagadora maioria destes eventos pode ser evitada. Para além dos fatores de risco clássicos — tabagismo, hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo — há outros mais específicos da história de cada mulher que também devem ser tidos em conta, como uma menopausa precoce, bem como antecedentes de hipertensão ou diabetes na gravidez. Por isso, na consulta em torno da menopausa, para além do bem-estar hormonal, deve também ser feita uma avaliação séria do risco cardiovascular: medir a tensão arterial, avaliar o perfil lipídico e a glicemia, rever hábitos de vida e, se necessário, iniciar tratamento.
Cuidar do coração não tira espaço a nenhuma outra causa — cuida-se dele com a mesma seriedade com que se cuida de tudo o resto. Faça exercício físico regular, não fume, controle o peso e não falte às consultas de vigilância, sobretudo depois da menopausa. Cuide dele: é o “motor” de tudo o resto.
Luís Leite
(Médico, Cardiologista; OM n.º 51317)

Olá, tenho 52 anos e aos 48 tive um enfarte de miocardio com paragem cardiorespiratoria. Fiquei com redução cardiaca. Apenas 57%. Desde que levei a vacina do covid fiquei com hipertensão mas dificil de controlare ansiedade. Fiz exames mas foram sempre desvalorizados por causa da ansiedade… tive o enfarte. Tinha 3 placas, tiraram 1 e tenho cá 2 com 30%. Na altura caminhava todos os dias, tinha menos 9kg, nunca fumei, o colesterol estava bom. Tomava a pilula mas deixei logo de tomar e nunca mais tive menstruação. Entrei na menopausa de repente. Ja tinha diagnóstico de espondilite anquilosante e tomava anti inflamatórios com frequência. A partir do enfarte não tenho medicação para isso. Tomo bisoprolol 2,5, trimetazidina 35mg, acido acetilsalicilico 100mg, atorvastatina + ezetimiba para manter o colesterol nos 50 para as placas não aumentarem, para dormir tomo furazepam 15mg e metacarbamol+paracetamol 300mg para ajudar a aliviar as dores. Sou de Portalegre. Aqui não ha nada. Sou seguida em Cardiologia em Évora e estou à espera de consulta de reumatologia para Coimbra. A Ginecologista diz que não posso tomar nada de suplementos para aliviar os sintomas da menopausa. Faço pilates. Não posso fazer exercício fisico que trabalhe a parte cardio porque o batimento cai e entro e braquicardio e desmaio. Estive mais de 2 anos sem trabalhar. Agora trabalho mas ontem e hoje por causa duma simples crise de sinusite, fiquei em casa. Tive febre, as dores no corpo são horríveis. Fui ao médico e estou a antibiótico e paracetamol…. com 52 anos sofro imenso, em silêncio, porque ja recorri a muitos médicos e todos me dizem que não tenho solução, nem medicação natural. Sou seguida por psiquitra particular por causaa do sono e estou à espera, mais uma vez, de consulta de psicologia…o sistema não ajuda e 2 anos no desemprego também não facilita. Haverá alguma solução para mim?…. só precisava duma luzinha ao fundo do túnel… Obrigada Andrelina
ReplyBom dia, são múltiplas as questões que envolvem a sua saúde e bem-estar e compreendemos perfeitamente a necessidade de busca de uma resposta e/ou orientação. Neste espaço não poderemos ajudar com indicações e/ou sugestões, deve ser avaliada em consulta por médico cardiologista e/ou, complementarmente, por médico especialista em Medicina Interna. Pode consultar o nosso site em http://www.ccci.pt
ReplyVotos de uma boa recuperação.
Boa tarde o meu problema tem se agravado com a menopausa o bloqueio completo do ramo direito e esquerdo do coração, falta de ar, dor no peito, desmaios, palpitações. não sei o que fazer, gostavas de opiniões obrigados
ReplyBoa tarde, as questões de saúde devem ser abordadas em consulta de avaliação, e eventualmente, com exames de diagnóstico. Neste espaço, só podemos sugerir que agende uma consulta com médico especialista. Se quiser conhecer os nossos médicos, pode consultar o nosso site http://www.ccci.pt
ReplyFique bem
Estou em menopausa desde os 45 anos. Tenho 59 anos entretanto fiquei hipertensa, o colesterol um pouco alto tomo medicação. Já fumei mas deixei há 8 anos Faço exercícios fisico com alguma regularidade.
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