
Dormir mal nunca pode ser a regra. É preciso compreender a insónia e começar por corrigir hábitos inadequados. Ficar na cama até mais tarde para tentar compensar o sono perdido não é solução, tal como recorrer ao uso de alguns medicamentos para dormir “melhor” pode acabar por agravar e promover a insónia
O sono é importante para a saúde. Só assim se justifica o facto de passarmos 30% do dia a dormir, mas a quantidade ideal de horas de sono é uma característica individual. A maioria das pessoas sente-se satisfeita após 7 a 8 horas de sono. Porém, o que define se a pessoa dormiu satisfatoriamente é o estado em que se sente e encontra no dia seguinte.
A insónia é a mais frequente perturbação do sono e pode atingir cerca de 40% da população em geral, sendo referida em 30% dos adultos e mais relatada nas mulheres. Aparece geralmente no adulto jovem (entre 20 a 30 anos) e intensifica-se gradativamente, sendo muito frequente entre idosos.
A insónia é uma queixa subjetiva. Os doentes queixam-se que o sono é inadequado, ou demasiado curto, ou é frequentemente interrompido, ou não é suficientemente reparador. Noites mal dormidas podem reduzir a qualidade de vida e provocar problemas de saúde.
Quando crónica, a insónia tende a ser permanente, incapacitante, dispendiosa e pode condicionar risco de doenças médicas e psiquiátricas adicionais. Com uma prevalência de 10-15%, a insónia crónica não tratada pode resultar em distúrbios de memória e concentração, ansiedade, depressão, sonolência diurna, irritabilidade, baixo rendimento profissional, prejuízo do convívio social e aumento do risco de acidentes de viação.
A insónia é considerada como um fator de risco para o desenvolvimento de distúrbios psiquiátricos como a depressão, ansiedade e abuso de substâncias. Um estudo revelou que doentes com insónia tinham um risco 4 vezes superior de desenvolver depressão nos próximos 3 a 5 anos do que indivíduos sem insónia. O risco de desenvolver ansiedade e perturbações por abuso de substâncias foi 2 a 7 vezes superior, respetivamente.
O diagnóstico da insónia é clínico e para uma correta interpretação da queixa de insónia são fundamentais a história e o exame físico detalhados. Estabelecido o diagnóstico existem várias opções de tratamento, seja farmacológico, seja através de terapia cognitivo comportamental, sendo indispensável o acompanhamento médico adequado.
O início do tratamento deve privilegiar a correção de hábitos inadequados em relação ao sono, de que se destacam os horários irregulares, dormir muito cedo ou ficar na cama até mais tarde para tentar compensar o sono não reparador, realização de atividades estimulantes durante a noite (por exemplo televisão, internet) e excesso de consumo de cafeina. A maioria dos casos de insónia são secundários a uma ou mais causas, pelo que o tratamento dessas causas deve resolver o sintoma de insónia.
O uso de medicação pode destinar-se a tratar a causa da insónia (por exemplo uma depressão) ou compensar apenas o sintoma. Na prática médica, o que se verifica frequentemente, é a prescrição prolongada de benzodiazepinas ansiolíticas e hipnóticas para tratar a insónia. Na realidade esses medicamentos podem agravar e promover a manutenção da insónia, além de que apresentam risco potencial de causar dependência física e psicológica, síndrome de privação, aquando da interrupção do tratamento e risco de perturbações psicomotoras e perturbações da memória.
(Psiquiatra)
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Olá boa tarde, estive a tomar conta de um pai com Alzeihmer durante três anos, fiquei com o sono desregulado, devido de ele não me deixar dormir de noite.
ReplyPara agravar moro num sitio extremamente barulhento de noite. O médico de família passou-me o kainever, quede tomo há 2 anos e agora kainever com alprozoolam, ambos já não me fazem efeito. Durmo cerca três a quatro horas ando exausta e com um esgotamento.
O que fazer? Onde pedir ajuda.
obrigado.
Precisa mesmo de ajuda, isso é certo. Mas a nossa resposta não poderá ser dada por email, uma vez que há várias questões a ponderar e que devem ser devidamente analisadas. Sugerimos que marque consulta com o Dr. José Moutinho ou com Dr.ª Joana Serra. Pode usar o nosso número de telefone 239.802700 para agendar a sua consulta e envio-lhe um link do nosso site com mais informação sobre a Medicina do Sono
Replyhttps://www.ccci.pt/department/medicina-do-sono/
Pois eu durmo de qualquer maneira, sem quaisquer problemas. Algum dia, ou noite, em que demore mais de 10 minutos a adormecer já é um problema. O segredo? Muito simples, meros 15 minutos diários de relaxamento e treinamento mental e a minha tranquilidade caminha entre o desassossego que nos rodeia sem ser afetado.
Para que queremos o cerebro que temos, se só usamos uma ínfima parte? A natureza não desperdiça nada, se não tivesse utilidade o resto do cerebro não estaria em nós!
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