Os resultados alcançados nos últimos 40 anos são motivo de orgulho nacional. 

Ninguém conseguiu tamanho feito em tão pouco tempo. Nascer para viver marcou a história de um povo.
Em 1970, não era isso que acontecia. A morte no primeiro ano de vida era um destino comum.
A esperança mudou a vida dos portugueses

 

Os fotógrafos asseguram que, com o 25 de Abril de 1974, os portugueses ficaram mais sorridentes. Havia esperança e acreditavam que tudo podia mudar. E alguma coisa mudou. A taxa de mortalidade infantil não nos ficava bem. Havia a certeza de que era possível mudar. Acreditámos nisso. Um punhado de ideias e um grande número de portugueses movidos pela esperança conseguiu mudar a história de um país e de um povo.

De uma taxa de mortalidade infantil de 55,‰, em 1970, passámos para 2,5‰ em 2010. Em 40 anos, Portugal construiu um percurso histórico difícil de reproduzir e de igualar. Ficámos entre os melhores do mundo, com uma taxa de mortalidade igual à da Suécia e melhor do que a da Noruega ou da Alemanha.

As condições para que esta história pudesse ser escrita foram fornecidas com a criação do Serviço Médico à Periferia, que antecedeu o Serviço Nacional de Saúde (criado em 1979), mas também com a construção de uma rede nacional de centros de saúde, generalizada em 1983, e a requalificação de maternidades.

Para quem ainda não percebeu muito bem o impacto e a importância da taxa de mortalidade infantil, explicamos que este valor é a prova de que conseguimos reduzir o risco de morte das crianças no primeiro ano de vida, mas também demonstra o nível de desenvolvimento socioeconómico de um país. Basicamente, traduz progresso.

Foi isto que um grupo de portugueses, que tinha esperança e que acreditava que era possível mudar um país, conseguiu construir em apenas 40 anos. Devemos-lhes isso. Mas, devemos mais ainda, precisamos de garantir a sustentabilidade destes resultados.

Precisamos de portugueses que continuem a acreditar e a sonhar.

 

António Travassos

(Centro Cirúrgico de Coimbra)

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