A ideia tem quase doze anos, surgiu no dia 27 de setembro de 2003, no Estádio Cidade de Coimbra, durante o concerto dos Rolling Stones. Não porque me inspirei na atuação do grupo lendário, mas antes porque me deixei perturbar pelo enorme mar de gente, em concreto de Mulheres.

Foi nesse momento e dia que decidi que o Centro Cirúrgico deveria ocupar um lugar, também na diferenciação de cuidados, que o Cancro da Mama merece. Porque “aquilo” acontece a qualquer mulher e em qualquer idade. As histórias das sobreviventes relatam vivências de um mundo que desaba, da atuação de forças estranhas que as impede de continuar, ou da feminilidade e auto estima que são afetadas. Há histórias que podem ser evitadas.

Quis inverter essas histórias de vida. Não o consegui fazer no dia seguinte, nem no ano seguinte. Foi preciso esperar. Não desisti. Acreditei que chegaria o momento em que iria conseguir reunir a equipa ideal e arranjar forma de adquirir os equipamentos certos.

A diferenciação começou a ser construída. Sei que, hoje, mesmo com a melhor tecnologia e a melhor equipa, ainda não é possível tratar o cancro da mama a 100%. Há histórias em que “aquilo” pode ser evitado. É este o caminho que estamos a trilhar. Temos essa obrigação e a Mulher merece-nos essa diferenciação. Não é por mim, é mesmo por Elas.

 

António Travassos

(médico oftalmologista)

 

Nota: Um em cada 100 cancros da mama afeta o homem.

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