A hipertensão arterial e a dislipidemia são dois dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, como o enfarte agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral. Em Portugal, a situação é preocupante, porque estes dois problemas afetam uma grande percentagem dos adultos. É preciso compreender, prevenir e controlar

Individualmente, a hipertensão arterial e a dislipidemia, já representam um risco considerável. No entanto, quando coexistem, os perigos são potenciados. A hipertensão lesa as paredes dos vasos sanguíneos, tornando-as mais suscetíveis à acumulação de placas de gordura, um processo conhecido como aterosclerose. Por sua vez, a dislipidemia agrava estas lesões, acelerando o estreitamento e endurecimento das artérias. Esta combinação nefasta aumenta drasticamente a probabilidade de lesões nos órgãos-alvo, como o coração, o cérebro e os rins.

A realidade portuguesa

Estima-se que cerca de 42% da população adulta portuguesa tenha hipertensão arterial, sendo que muitos desconhecem a sua condição ou não a têm devidamente controlada. A dislipidemia é, também, um problema de saúde muito prevalente em Portugal, afetando uma parte significativa da população adulta. A prevalência de dislipidemia aumenta consideravelmente com a idade, chegando a afetar cerca de 80% dos indivíduos com mais de 55 anos, incluindo aqueles que já estão sob medicação. A associação da dislipidemia com a hipertensão é muito comum, especialmente em grupos de maior risco, como diabéticos e obesos.

Prevenção e controlo: A chave para a saúde

A boa notícia é que ambas as condições podem ser prevenidas e controladas, principalmente através de mudanças no estilo de vida:

  • Alimentação saudável: reduzir drasticamente o consumo de sal, açúcares e gorduras saturadas e trans (presentes em alimentos processados, carnes gordas, enchidos e fritos), enquanto se privilegia a ingestão de gorduras saudáveis  (como o azeite e os ómega-3 dos peixes gordos), fibra  (através de frutas, vegetais, leguminosas e grãos integrais) e laticínios magros, de modo a gerir eficazmente ambas as condições e diminuir o risco cardiovascular;
  • Atividade física regular: A prática de exercício físico regular e moderado é essencial para o controlo da tensão arterial e da dislipidemia, devendo privilegiar-se as atividades aeróbicas como caminhada, corrida, natação ou ciclismo, durante, pelo menos, 30 a 60 minutos na maioria dos dias da semana, adaptada à condição física de cada pessoa; esta rotina ajuda a fortalecer o sistema cardiovascular, a reduzir o peso corporal, a melhorar a sensibilidade à insulina e a promover a diminuição do colesterol “mau” (LDL) e dos triglicéridos, sendo um complemento indispensável a uma alimentação saudável;
  • Controlo do peso: O controlo do peso corporal é uma medida crucial e altamente eficaz para gerir tanto a hipertensão arterial como a dislipidemia, pois o excesso de peso e a obesidade estão diretamente ligados ao aumento dos níveis de tensão e de colesterol; manter um peso adequado ajuda a reduzir significativamente a pressão arterial, a melhorar o perfil lipídico (diminuindo o colesterol LDL e os triglicéridos e aumentando o colesterol HDL) e a aumentar a sensibilidade à insulina, potenciando os efeitos benéficos da dieta e do exercício físico;
  • Abandono do tabaco: Fumar é um fator de risco major que agrava os malefícios causados pela hipertensão e dislipidemia;
  • Moderação no álcool: O consumo excessivo de álcool eleva a tensão arterial.

A Importância do diagnóstico e tratamento

Uma vez que a hipertensão e a dislipidemia são frequentemente assintomáticas nas fases iniciais, o diagnóstico precoce é crucial. Consultas médicas regulares, incluindo a medição da tensão arterial e análises ao sangue para verificar os níveis de colesterol e triglicerídeos, são essenciais.

Quando as alterações no estilo de vida não são suficientes, pode ser necessário recorrer a medicação, como anti-hipertensores e medicamentos para reduzir o colesterol. O tratamento deve ser abordado de forma simultânea e continuada para garantir a máxima proteção cardiovascular.

A prevenção é o melhor remédio. Cuide de si, adote hábitos saudáveis e consulte o seu médico regularmente. O seu coração agradece.

Nádia Moreira
(Médica, Cardiologista; OM n.º 43355)

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