Recorre-se à criopreservação e conserva-se o que poderá vir a ser útil anos mais tarde. A preservação da fertilidade masculina é uma questão particularmente importante quando o homem, ainda em idade fértil, é afetado por patologia oncológica

A interação entre a Oncologia e a Medicina da Reprodução está hoje com um diálogo em canal aberto. Se as doenças oncológicas estão a aumentar, com as previsões da Organização Mundial de Saúde (OMS) a apontarem para um crescimento brutal para as próximas duas décadas e em todo o mundo, não é menos verdade que a sobrevivência ao cancro deixou de ser uma raridade e passou a ser realidade. Contudo, esse mesmo tratamento tem efeitos e a infertilidade masculina é um deles, pelos efeitos tóxicos que afetam as células da linhagem germinativa. Hoje, o destino não terá de ser esse, se o caminho a percorrer incluir a colaboração da Medicina da Reprodução no momento certo.

Se antes, a única preocupação do clínico era tratar a doença, hoje, perante uma situação de neoplasia, deve-se pensar na necessidade de preservar a fertilidade da pessoa. A criopreservação do esperma é a solução e a técnica que deve ser aplicada antes de a pessoa iniciar os tratamentos, de quimioterapia ou radioterapia, precisamente no momento em que ainda não existe decréscimo da qualidade dos espermatozoides.

A criopreservação recorre ao azoto líquido a 196 graus negativos e o material pode ficar assim “armazenado” por tempo indeterminado, sem que exista o risco de sofrer qualquer deterioração.

Admite-se que a criopreservação pode causar alguma perca de qualidade ao nível da mobilidade do espermatozoide, mas nada que as técnicas da Medicina da Reprodução não possam, uma vez mais, ultrapassar, tal como também é possível que a capacidade fecundativa dos mesmos seja afetada. Razão porque, a amostra terá que reunir uma quantidade mínima de espermatozoides em reserva, para que possam existir várias hipóteses e tentativas, até porque nem todos os espermatozoides são “brilhantes”».

O Centro Cirúrgico de Coimbra tem uma equipa que se dedica ao estudo e tratamento da infertilidade. Nesta unidade, o casal em estudo tem acesso a consultas da especialidade, realização de exames complementares de diagnóstico e aos tratamentos adequados e recomendados, onde se incluem os tratamentos cirúrgicos e de procriação medicamente assistida (PMA), quando necessário. As técnicas utilizadas incluem a inseminação intrauterina (IIU), a fecundação in vitro (FIV) a microinjeção de espermatozoide (ICSI), a transferência embrionária, o recurso a esperma de dador (nas situações legalmente previstas) e a criopreservação de esperma ou embriões (técnica de vitrificação).

Equipa:

  • Ginecologia/Obstetrícia: Ana Peixoto e Margarida Silvestre
  • Urologia/Andrologia: Arnaldo Figueiredo
  • Anestesiologia: Ana Paula Perreira e Edgar Semedo
  • Laboratório de PMA: Catarina Silva
  • Laboratório de Andrologia: Mariana Agatão

Sem espermatozoides não existe fertilidade masculina. São estas as células, com cabeça, peça intermédia e cauda, que dão capacidade reprodutora ao homem. Os espermatozoides devem ser produzidos em quantidade e com qualidade e aceita-se como normal a presença de 15 milhões num mililitro.

Num casal infértil, a causa masculina pode estar presente em 30% dos casos e o mesmo valor pode ser apontado como causa de infertilidade feminina, existindo ainda 30% para as causas mistas e 10% de causa desconhecida. No caso do homem, a esterilidade por toxidade é apenas uma das várias causas. Sabe-se que a quimioterapia e a radioterapia afetam a fertilidade masculina e por isso se recomenda a criopreservação de esperma, mas há outros agentes que podem influenciar negativamente a fertilidade masculina, desde alguns tipos de antibióticos, a redutores de colesterol, anti psicóticos, alguns pesticidas, solventes ou até a simples exposição excessiva ao calor. Contudo, nestes casos, geralmente, os efeitos tóxicos são reversíveis assim que a ação do produto é descontinuada, o mesmo não acontece quando o indivíduo é sujeito a quimioterapia ou radioterapia.

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