Não há dietas “milagrosas”. O segredo de perder peso passa por comer com regras e sem pressa. Aliás, as dietas “da moda” têm um enorme contratempo. Além da grande possibilidade de fracasso, existe uma enorme probabilidade de voltar a engordar após a restrição alimentar

Corrigir os erros alimentares pode ser o suficiente para perder o peso a mais. Mas, onde andamos a errar? Começamos a errar logo nas escolhas que fazemos à mesa. O nosso prato tem excesso de proteínas animais (carne), sal, gorduras e açúcar e poucos legumes e fruta. A balança alimentar está desequilibrada e longe do que é recomendado. Junte-se o sedentarismo, como o gosto pelo sofá, a falta de tempo para comer e depressa se percebe porque andamos a engordar.

Com a proximidade do verão, muitas são as atrações pelas “dietas rápidas e eficazes”. A tentação é grande, mas aqui não há milagres e as promessas são enganadoras. Porque depois de perder algum peso, depressa volta a engordar. Não acredita? Vamos explicar.

Geneticamente, o ser humano está concebido para guardar reservas nutritivas e para acumular gordura. Foram essas características que ajudaram a sobrevivência da espécie, porque a comida não estava disponível a toda a hora e o jejum era uma característica do dia-a-dia dos nossos antepassados.

A existência de supermercados não veio alterar essa condição da espécie humana e se hoje podemos adquirir os alimentos que julgamos necessitar, tempos houve em que era preciso lutar para vencer a caçada que iria alimentar o grupo ou a família.

O corpo humano continua a manter a necessidade das reservas e vai guardando alguns dos nutrientes, até porque o nosso organismo está preparado para evitar a morte por falta de nutrição. Se assim não fosse porque estamos todos mais obesos, apesar de o mercado estar inundado de “dietas fáceis e rápidas”? Porque é preciso reaprender a comer. Não basta ter um acesso facilitado aos melhores alimentos, é preciso saber escolher entre as opções e encontrar o equilíbrio.

Sempre que impomos uma dieta com grande restrição alimentar, o corpo humano processa uma adaptação celular. O corpo humano adapta-se à redução de calorias que a “dieta” exige e desenvolve outros processos celulares adaptativos, que permitam “armazenar” de novo energia, tão só porque sente a restrição como uma ameaça à sobrevivência. Por outro lado, o nosso cérebro também reage, aumentando os impulsos dos sinais de fome.

Claro que a fome é uma questão fisiológica e a forma como cada um de nós responde a esta necessidade é que vai ditar o chamado peso ideal. Porque, além da quantidade, é preciso juntar a qualidade àquilo que comemos. O segredo está no equilíbrio, não nas dietas da “moda”.

Patrícia Oliveira (Médica, endocrinologista)

Regras básicas

Equilíbrio e variedade são a chave para evitar o excesso de peso e/ou obesidade. O que escolhemos é importante e por isso a nossa alimentação deve incluir grupos variados, tal como a quantidade de comida deve ser adequada às necessidades calóricas de cada um, sem excessos.

A água não pode faltar, tal como a sopa, a fruta e os legumes. É preciso perceber que a gordura não está só nas batatas fritas, tal como o açúcar não está só nos doces. Por princípio, desconfie sempre de todos os produtos com palavras que terminam em “ose”, certamente que têm sempre açúcar.

Ainda devemos estar atentos para a quantidade de comida que colocamos no prato, mas também no garfo, porque é aconselhado mastigar devagar e muitas vezes. Aliás, o tempo mínimo de duração de uma refeição não deve ser inferior aos 30 minutos. Sempre que comemos devagar, o cérebro recebe a informação em tempo útil de que o corpo já está satisfeito. Sempre que comemos muito depressa, o cérebro não tem tempo para perceber se já ingerimos ou não a quantidade certa.

Por fim, mas não menos importante, é preciso não esquecer a regra básica do exercício físico, seja no ginásio, seja uma simples caminhada a pé. O sofá é inimigo da saúde, por várias razões mas, no que toca a excesso de peso e/ou obesidade, é um hábito que importa contrariar.

Sempre que engordamos significa que estamos a ingerir mais calorias do que aquelas que necessitamos. É este excesso que se acumula sob a forma de gordura e que muitos de nós vai “alimentando” ao longo de anos, até que nos tornamos obesos. E note, a obesidade é uma doença crónica, mesmo que a pessoa volte ao peso normal, a pessoa será sempre metabolicamente obesa. Também por isso as regras básicas são para cumprir sempre.

Leave a reply