De que vale um supercérebro ao comando se não compreendemos a base da sobrevivência da espécie? Um país que despacha Avós é um País iceberg. Um país em que não se sabe fazer meninos (as) é um deserto…

Assistimos à emancipação do homo sapiens sapiens, sobrevivemos à seleção natural e chegamos aqui, lado a lado (!?) com a Inteligência Artificial. O cérebro humano foi o grande protagonista em todo este percurso e assumiu sempre o lugar de personagem principal, mas de que vale todo o percurso se ainda não percebemos o básico da sobrevivência da espécie, a reprodução… (a garantia de preservação do futuro).

Todos sabemos que um País que despacha os Avós para os lares e que não faz Meninos (as) é um País iceberg. É um País condenado porque gera emprego temporário e precário; os utentes dos lares vão morrer; os empregados vão envelhecer e quando tiverem que ir para os lares, não terão quem lhes pague as reformas, nem quem lhes torne a vida menos penosa.

Para que os lares tenham futuro, o Governo tem de ensinar e convencer os mais novos a fazerem meninos (as). E não é fácil convencer os jovens a fazerem meninos (as), enquanto no futuro desse País não houver Justiça, Educação, Saúde, Jardins, Empresas, enquanto não houver vontade.

Um País não pode ser feito para ciclistas, que são automobilistas, para estudantes, que são turistas, para Professores, que transformaram em para-quedistas, banqueiros, que se tornaram oportunistas, ou ladrões, bons vigaristas.

Um País é uma Nação politicamente organizada onde há Pessoas. Um distrito, um concelho, uma aldeia são locais, onde têm de nascer crianças; onde os pais dessas crianças têm de acreditar que os seus filhos vão ter um futuro melhor do que o seu; que vão ter filhos que vão ser ainda mais felizes e tornar os outros Felizes.

Um País é uma nação politicamente organizada se merecer a confiança dos seus cidadãos, se for governado por um governo que garanta que as Pessoas têm segurança quando precisam da justiça, da escola, do hospital, da empresa, da rua, do asilo ou do cemitério.

O meu País, qualquer que ele seja, terá de ser um local onde se nasce com direito às mesmas oportunidades e onde se morre com direito à dignidade.

Um País em que não se sabe fazer meninos (as) é um deserto, um País onde não há justiça é uma cidade sem castelo, um país sem escola é uma selva, um País sem saúde é uma pandemia.

Um País organizado é o que sabe gerar o berço para crianças desejadas por pais felizes. É urgente que o plano de recuperação e resiliência perceba que a transição digital é necessária, mas não gera crianças.

Preparem o futuro, façam crianças e edifiquem Maternidades. Só assim é que poderemos recuperar Portugal. Estamos atrasados, muito atrasados. Já o devíamos ter feito há duas gerações…

António Travassos
(Médico, Oftalmologista)

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