Todos sabem do que falamos porque – em qualquer momento na vida – cada um de nós já sentiu o que é ter uma dor de barriga. Seja, porque comeu o que não devia, seja porque ficou intimidado com um exame que o iria pôr à prova. As dores de barriga são comuns e, na grande maioria das vezes, a situação é benigna. Mas, nem sempre, nem nunca. A especialidade de Gastroenterologia ajuda a descomplicar

A barriga (ou abdómen) aloja vários órgãos e qualquer um pode provocar dor de barriga. Mas, contrariamente ao senso comum, a causa dessa mesma dor nem sempre é gastrointestinal. Aliás, a origem desse mal-estar pode nem estar no abdómen. A Gastroenterologia ajuda a descomplicar e a construir um diagnóstico que, por norma, começa tão só com uma sensação, porque quando temos dor, é disso mesmo que se trata, uma sensação individual que não pode ser medida pelos outros, é preciso senti-la.

Primeiro que tudo importa conseguir descrever muito bem essa mesma dor, ou seja, se é em jeito de cólica, “facada”, uma moinha ou uma espécie de ardor, mas também a sua localização e se está ou não associada a outros sintomas, como tonturas, vómitos, febre, diarreia e outros. Com as respostas certas, o exame físico e a história clínica do doente, o gastroenterologista fica na posse da informação base necessária para começar a desvendar o mistério da dor de barriga.

Como se depreende facilmente, as causas de uma dor de barriga podem ser variadas e estão muito dependentes da idade, sexo e da existência ou não de doenças associadas. Se o problema for gastroenterológico o mistério poderá manter-se. Isto porque, o problema é detetado, sinalizado, mas pode não ter um rótulo de doença. Ou seja, se é verdade que existem patologias estruturais que justificam a existência de uma dor de barriga, também é verdade que existem causas funcionais. E quando os exames de diagnóstico não revelam qualquer anomalia a causa será sempre funcional. Neste caso, a síndrome do intestino irritável poderá ser o mais comum de entre as disfunções gastrointestinais não estruturais.

Se a causa da dor estiver num problema estrutural, o gastroenterologista saberá elucidar sobre os procedimentos a seguir e que, nalguns casos, pode passar por uma intervenção cirúrgica e/ou toma de medicação.

Se o problema for apenas funcional, ou seja, existem sintomas – como a dor de barriga – mas não existe nenhuma lesão – sugerimos que cada um faça uma avaliação/análise sobre os efeitos dos alimentos ingeridos, sem partir logo do princípio imediato de que pode existir uma intolerância alimentar. A reação do organismo a determinados alimentos não é sempre igual e depende de variados fatores, incluindo os psicológicos. Porque, quer queiramos quer não, o stress também influencia o movimento intestinal, promovendo perturbações. Junte-se ainda um outro ingrediente muito útil à otimização do funcionamento gastrointestinal e que está sempre presente quando se fala na adoção de uma vida saudável: o exercício físico.

Leave a reply