
A vida atrás de um ecrã
Autómatos, obedientes, sem empatia ou qualquer interação. Se a ideia é separar o corpo da mente, ponha um telemóvel nas mãos de uma criança. O exame clínico decorrerá sem percalços…

Autómatos, obedientes, sem empatia ou qualquer interação. Se a ideia é separar o corpo da mente, ponha um telemóvel nas mãos de uma criança. O exame clínico decorrerá sem percalços…

Já percorreu o país de Norte a Sul, foi além fronteiras, além-mar e ainda continua a dar que falar. A Exposição “Visões – o interior do olho humano” está na sua 59.º exibição e, até final do mês de maio, pode ser visitada em três sítios diferentes. Já não há desculpa para dizer que não viu ou não conhece.

“Tenho síndrome vertiginosa”… Esta é uma afirmação cada vez mais comum quando o médico otorrinolaringologista (ORL) pergunta ao doente porque vem à sua consulta. Efetivamente, esta expressão quer dizer tudo, mas também não esclarece grande coisa.

Nascemos para transmitir os genes e, enquanto por cá andamos, ocupamos um lugar que é só nosso, irrepetível e onde podemos deixar a espuma da nossa marca. Mas uma marca de espuma é uma “não marca” que o tempo apaga, sem mancha, sem pegada, sem brilho.

Primeiro, fica a sensação que apenas se tropeçou. A repetição leva-nos a equacionar se foi mesmo um acaso, mas só depois de esbarrar sucessivas vezes é que se começa a pensar que, afinal, o móvel sempre esteve ali e a escada sempre teve aquela altura. Fomos nós que mudámos. A perceção sensorial alterou-se e não mudou sozinha

Analisar e gerir detalhe sobre detalhe, sintoma sobre sintoma, a nossa experiência e a dos outros, a regra e a exceção, a informação válida e a desnecessária… Gerir todas as variáveis e equações assemelha-nos a supernovas ou meteoritos que caem em qualquer buraco negro que não sabemos explicar/interpretar…