Esta é a subespecialidade da Cardiologia vocacionada para o diagnóstico e tratamento da doença cardíaca, sem precisar de abrir o peito para lá chegar. Os cateterismos “desbravam caminhos” e facilitam a intervenção

A Cardiologia é uma área em constante atualização e em que as novas tecnologias têm trazido melhorias notáveis dos resultados clínicos. Apesar da doença cardiovascular continuar a ser a causa mais comum de morte miocárdio houve uma redução de 25% na mortalidade nas duas últimas décadas, graças aos avanços médicos.

A Cardiologia de Intervenção é a subespecialidade que se dedica à realização de modernas técnicas percutâneas (pouco invasivas, através de cateterismos) para o diagnóstico e tratamento de várias doenças cardíacas.

A maioria da atividade da Cardiologia de Intervenção centra-se no diagnóstico e tratamento da doença coronária e dos enfartes do miocárdio. Com uma técnica muito pouco invasiva, recorrendo na maioria das vezes apenas a uma punção arterial na região do punho e sob anestesia local, é possível aceder às artérias coronárias através de cateteres.

Com esta técnica é possível constatar se existem lesões ateroscleróticas nos vasos e, se estiver indicado, restaurar a circulação de sangue no músculo cardíaco que está em risco. Este procedimento chamado angioplastia, em que são habitualmente colocados stents, quando é feito em contexto de enfarte do miocárdio, pode salvar a vida dos doentes e fazer com que fiquem quase sem sequelas. O fator “tempo” também vai determinar a eficácia dos procedimentos.

Por outro lado, a atividade da Cardiologia de Intervenção, inicialmente centrada nas artérias coronárias e tratamento dos enfartes do miocárdio, tem sido alargada a outras patologias cardíacas, que antigamente apenas eram tratadas através de cirurgia ao coração, nomeadamente através de intervenções percutâneas das doenças valvulares.

A estenose aórtica, que consiste num “aperto” na válvula aórtica, afeta cerca de 1 em cada 15 portugueses com mais de 80 anos e é uma causa importantíssima de morte e de diminuição de qualidade de vida. Muitos destes doentes têm risco cirúrgico intermédio ou elevado, pelo que a possibilidade de implantar uma prótese valvular através de um cateterismo, sem necessidade de serem operados, é a solução ideal e muitas vezes a única possível! Esta técnica sofisticada está a crescer rapidamente em todo o Mundo e vai tornar-se cada vez mais importante com o aumento da esperança média de vida da população.

As modernas técnicas da Cardiologia de Intervenção têm trazido uma enorme melhoria no tratamento das doenças cardiovasculares e o fascinante avanço tecnológico está continuamente a evoluir!

Luís Leite
(Médico, Cardiologista)

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