A acupuntura não tem um processo de cura para as doenças neurodegenerativas, mas sugere algumas estratégias que podem restaurar o equilíbrio do corpo, proporcionado melhor qualidade de vida. O foco mantém-se no Yin/Yang, ou seja, no equilíbrio de energia
Doenças Neurodegenerativas, incluindo a doença de Alzheimer, doença de Parkinson, Esclerose Múltipla e outras, são condições debilitantes que afetam pessoas de todas as idades e resultam da degeneração progressiva e/ou morte de neurónios, as células responsáveis pelas funções do sistema nervoso. Esta degradação pode afetar o movimento do corpo – ataxias – e o funcionamento do cérebro, originando demência.
Com o passar do tempo, os sintomas agravam-se, interferindo diretamente na qualidade de vida das pessoas que possuem este tipo de doenças. A degeneração neural prejudica o bom funcionamento cerebral e pode comprometer o sistema locomotor.
Atualmente, as Doenças Neurodegenerativas não possuem cura, pelo que iniciar terapias para aliviar os sintomas continua a ser uma prioridade. A acupuntura não apresenta um processo de cura, mas sim estratégias que procuram restaurar o equilíbrio do corpo e possibilitar aos pacientes uma melhoria da qualidade de vida, assim como retardar os efeitos das doenças.
A acupuntura pode ajudar a diminuir o acumulado de proteínas tóxicas, modular o fornecimento de energia – com base no metabolismo da glicose – enfraquecer a apoptose neuronal e exercer efeitos neuroprotetores. Esta reflexão propõe expor o contributo que a acupuntura pode ter nas Doenças Neurodegenerativas, visando uma melhor qualidade de vida dos pacientes que possuem estas doenças e retardar a evolução dos sintomas, proporcionando:
- Diminuição da fadiga;
- Sono mais tranquilo;
- Controlo da irritabilidade;
- Controlar a ansiedade;
- Melhoria das funções motoras;
- Controlo das dores musculares, associadas a algumas doenças neurodegenerativas.
Os aspetos energético e holístico são os elementos que diferenciam o processo de diagnóstico e tratamento da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), em comparação com a Medicina Ocidental (MO). Na MTC há um foco na vida saudável, equilíbrio e saúde, que deve ser mantida, preventivamente. O princípio da MTC é o equilíbrio de energia no corpo, em que se pretende manter o fluxo desta energia, sem bloqueios e com a distribuição correta da mesma.
A conceção da MTC sobre os órgãos é diferente da que é aceite pela medicina ocidental. Consideram-se três aspetos distintos: o energético, o funcional e o orgânico; os dois últimos correspondem à fisiologia, à histologia e à anatomia patológica estudadas no Ocidente; o enfoque energético é único da MTC, quer na característica Yin/Yang, quer nas funções que essas energias exercem ao nível somático e mental.
Na MTC, a saúde é um estado de bem-estar em que o corpo é vital, equilibrado e adaptável ao seu ambiente, considerando a função do corpo como resultado da interação de determinadas substâncias vitais, sendo elas: Qi (energia), Xue (sangue), Essência (Jing) e Fluídos Corpóreos (Jin Ye). Nos clássicos, o cérebro, é denominado de “Mar das Medulas”, sendo a sua relação com as funções do Rim (Shen) e, mais especificamente com as funções da Essência (Jing), muito importante.
Se algum desequilíbrio de ordem física e/ou psicológica interferir com o ser humano, este estará assim propício ao aparecimento de patologias. Na MTC, as Doenças Neurodegenerativas são caracterizadas pela deterioração cerebral progressiva e a sua origem, pode estar:
- Deficiência da Essência Jing do Rim (Shen);
- Bloqueio do canal do cérebro;
- Perda da Essência (Jing).
A acupuntura aborda os aspetos funcionais dos seus pontos, mas também as diferentes funções dos meridianos (Jing Luo), que representam o sistema de consolidação e de comunicação dos Órgãos (Zang Fu) com a parte somática, condicionando, a sua trajetória. A estimulação de determinados pontos, relaciona-se com os aspetos energéticos dos órgãos e das vísceras, que são responsáveis pela integridade do corpo, de modo que quando há equilíbrio energético, as funções psíquicas, bem como as dos órgãos e vísceras, apresentam um bom desempenho funcional.
A acupuntura pode associar-se com outras técnicas que integram a MTC, como a fitoterapia chinesa, moxabustão e ventosaterapia, com a finalidade de fortalecer o paciente, restituindo os desequilíbrios existentes.
Em relação à seleção dos pontos de acupuntura, é importante analisar as funções energéticas de cada ponto e os efeitos da ação conjunta de vários pontos. Uma vez preenchidas essas questões fica completo o guia para uma decisão adequada aos sintomas das Doenças Neurodegenerativas.
Tânia Carvalho
(Técnica especialista em Medicina Tradicional Chinesa; C-0061308)

Bom dia! Fui diagnosticada com esclerose lateral Amiotrofica. ELA.
ReplyE possível tratar com acupuntura? Faz 2 anos que tenho a língua semi paralisada. Perdi a voz. E emagreci muito…perda de músculos…estou couro e osso. Por não poder me alimentar bem. O resto do meu corpo normal. Tem pontos de acupuntura que trataria isso?
Bom dia, a MTC e a acupuntura não tratam a ELA. Os tratamentos apenas pressupõem um alívio dos sintomas, nomeadamente ao nível da marcha, dor, questões musculares, cansaço, entre outros.
ReplyBom dia! Vivo na zona de Lisboa, estou diagnosticado com esclerose múltipla e tenho como sintomas, entre outros, dor neuropática.
ReplyPode indicar algum terapeuta de acupuntura na zona de Lisboa capaz de aliviar os meus sintomas?
Boa tarde, a Dra Tânia Carvalho, explica que em Lisboa pode consultar a Drª. Júlia Araújo Gonçalves.
ReplyAs clínicas Pedro Choy também podem ser uma hipótese. Fique bem.