Nunca parámos é certo, e por isso mesmo não recomeçámos. Estamos cá, onde sempre estivemos e a fazer o que melhor sabemos. Não estamos imunes ao medo, reagimos com proteção, mesmo que peque por excesso. Sabemos que este vírus não tem vida própria, porque a sua sobrevivência está sempre dependente de outro ser vivo, onde se aloja e nenhum de nós quer ser o hospedeiro. Justifica-se assim o nosso zelo constante.

Foram as incertezas que o COVID19 despertou em nós que nos fizeram mais fortes, mais resilientes, mais responsáveis e mais conscientes de que o medo é real e justificado, mas não podemos permitir que ameace tudo o que construímos até hoje, ou seja, todo o nosso património a que chamamos de Civilização.

Adaptámo-nos. Aprendemos a ler nos olhos e à distância. Exigimos muito mais da nossa audição, porque precisamos de decifrar os diálogos que acontecem entre máscaras. Protegemos o cabelo, os olhos e a pele. E, não raras vezes, tapamos tudo com 1 ou 2 camadas. Também não reconhecemos as próprias mãos, é verdade, porque são elas que acumulam várias histórias da reação aos desinfetantes ou aos excessos da água e sabão.

A vida continua à nossa espera e as incertezas do tempo não nos demovem de continuar, até porque “A inteligência é a capacidade de se adaptar à mudança” (Stephen Hawkins)

António Travassos
(Médico oftalmologista)


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