A cada 40 segundos (segundo a OMS) há uma pessoa que se suicida. Para a depressão, os números são ainda mais impressionantes, revelando-se um problema de saúde pública de enormes dimensões. De tempos a tempos, somos acordados pela pior doença que está a afetar a humanidade

Neste momento é a principal causa de incapacidade e a segunda causa de perda de anos de vida saudáveis. Afeta mais de 350 milhões em todo o mundo e, na Europa, 25% da população sofre ou irá sofrer desta doença, em qualquer altura da sua vida.

A idade do primeiro episódio tem vindo consistentemente a diminuir, com pessoas a manifestar sintomas desta doença cada vez mais cedo. Devido ao seu carácter recorrente, aproximadamente 60% dos doentes irá voltar a ter um episódio depressivo nos cinco anos que seguintes ao primeiro e, depois de dois ou três episódios de doença, a recorrência sobe até 70% e 90%, respetivamente.
Se não a tratarmos, a depressão aumenta o risco de morbilidade, alterações cognitivas, da memória e do processo do pensamento e, por fim, eventualmente, o suicídio ou a morte prematura.

Apesar das suas consequências devastadoras, a depressão é subdiagnosticada e muitas vezes subtratada (cerca de 50% dos casos) mas, mesmo quando é corretamente diagnosticada, somente entre 25 a 50% dos doentes recebe um tratamento que se possa considerar adequado. A depressão tem vindo a ficar para trás neste combate e é necessário que se volte a colocar na agenda. Alguém se lembra de alguma campanha para recolha de fundos para esta doença? A resposta já se sabe, é não!

Tal como em 1971, quando os EUA declararam “guerra ao cancro”, necessitamos de declarar “guerra à depressão”. Os avanços tecnológicos são imensos e a nossa capacidade de perceber a complexa relação entre fatores genéticos e ambientais é maior que nunca, tal como o entendimento que temos do órgão mais complexo alguma vez criado – o cérebro. Hoje, a neuroimagem permite-nos espreitar para dentro do cérebro, com recurso a técnicas como a Ressonância Magnética e a PET. Sabemos que algures dentro desse 1,5 kg de massa cerebral, composto por biliões de neurónios, está uma resposta para as origens da depressão e a chave para uma eventual cura. É nossa missão descobri-la, para benefício de todos.

Psiquiatras e neurocientistas têm vindo a descobrir novos circuitos cerebrais envolvidos na doença e novas terapêuticas têm vindo a surgir, muitas vezes simplesmente a redesciberta de fármacos antigos. Ao perceber-se que o glutamato, um neurotransmissor, estava envolvido na depressão, demonstrou-se que é possível desenvolver alternativas às terapêuticas existentes, que já começaram a ser testadas e que devem entrar no mercado nos próximos anos. Resta-nos continuar a procurar.

Quando adequadamente tratada, 80% dos doentes irá responder ao tratamento. Já é um ótimo começo!

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