A questão passa sempre pela dificuldade em fazer uma entrega direta e rápida. O medicamento deveria entrar no nosso corpo e dirigir-se rapidamente para o local afetado, cumprindo a sua função em pleno, sem causar danos colaterais. O ideal ainda é uma raridade

Encontrar novos medicamentos é apenas uma parte do problema. Depois deste passo é preciso descobrir o modo como o medicamento pode chegar ao sítio certo, sem causar danos pelo caminho. Não é isso que acontece. Idealmente, o medicamento deveria entrar no nosso corpo, dirigir-se para a área afetada e passar pelas áreas saudáveis sem as prejudicar.

O caminho está longe de ser perfeito. Por exemplo, quando engolimos um comprimido, temos de contar com as atuações de outros, como as enzimas do sistema digestivo, que acabam por alterar a velocidade da eventual reação química que é esperada. E as enzimas têm este modo de procedimento com tudo o que entra no nosso organismo, seja medicamento, seja alimentação. Num e noutro caso, a corrente sanguínea é o destino certo.

A comunicação celular ainda não está suficientemente esclarecida. Tentamos copiar a natureza e é aí que os novos fármacos devem ir buscar as fórmulas futuras, para que não seja o acaso ou a sorte a conduzir-nos para as novas terapêuticas. Hoje estuda-se como utilizar transportadores celulares para fazer com que os medicamentos atinjam alvos de difícil alcance. Sabe-se que alguns medicamentos, como antibióticos, podem apanhar um transportador nas células intestinais, mas esse tipo de boleia funciona um pouco como a linha do metro, vai mudando de estação e de linha, até que se chegue ao destino pretendido.

Entrar numa célula pode ser um desafio, há sinais, comunicações, interruptores, armamento e formas de defesa que ainda não compreendemos totalmente. O tratamento do cancro é um bom exemplo para perceber o caminho que o medicamento faz e os “estragos” que podem acontecer nesse percurso, não são raros os casos em que os medicamentos usados para eliminar um tumor acabam por matar demasiadas células saudáveis que encontram no caminho. Também existe o inverso, em que não se consegue fazer a entrega e levar o efeito ao destino, porque o fígado e o baço depressa destroem essas substâncias “invasoras”.

Vamos viver mais tempo e, consequentemente, iremos ter mais doenças, esse é um futuro quase certo. A ciência tratará de retardar esse mesmo envelhecimento e de alterar o curso das doenças. Se até agora, a farmacologia contou muito com o fator sorte e acaso, hoje, tudo pode mudar, há farmacologistas e químicos à procura de novos fármacos. Procura-se o desenho perfeito de novas moléculas bioinspiradas. É isso que começa agora a acontecer.

A realidade nano poderá ajudar a organizar uma viagem terapêutica mais próxima da perfeição. A tecnologia do microprocessamento e as nanopartículas prometem abrir caminho para a personalização dos medicamentos e uma entrega mais eficaz e eficiente.

No futuro, os farmacêuticos terão a capacidade de formular e dosear qualquer tipo de medicamento, adaptando-o à necessidade de cada um.

 

 

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